Trem Londres-Paris

A viagem de trem de Londres para Paris foi tão tranquila quanto havia sido a anterior, de Bruxelas até Londres (leia nesse post sobre as vantagens de viajar de trem).

Assim como a viagem anterior, havíamos comprado pelo site da Eurostar, e baixamos as passagens no My Wallet do iPhone (não havia como imprimir), e funcionou tudo perfeitamente. Aurora não pagou passagem. Crianças com menos de 4 anos viajam de graça, de 4 a 11 anos pagam tarifa reduzida e de 12 a 25 anos tem desconto!

Fomos de Uber XL de Notting Hill até a estação London St. Pancras. Nossos milhares de malas + carrinho duplo + duas crianças couberam com tranquilidade na van. O aplicativo do Uber na Europa e EUA é o mesmo que o do Brasil (pelo menos nos lugares em que já utilizamos).

A estação é bastante organizada e segura. Fomos logo realizar o check-in. Mais uma vez, nossas passagens no My Wallet foram lidas pelo sensor sem problemas.

A passagem pela polícia de fronteiras foi um pouco demorada, tinha bastante fila. Oficiais ingleses checavam os passaportes, registravam dados e faziam diversas perguntas. Para nós, não houve qualquer problema, mas vimos algumas pessoas que ficaram retidas por bastante tempo nessa etapa.

Depois disso, foi tudo muito simples e rápido. Andar com as meninas no carrinho e com as malas pela estação e pela plataforma é bem tranquilo. Como da outra vez, tinha espaço de sobra para tudo no bagageiro que fica na entrada do vagão (na foto abaixo, tudo que está no bagageiro é nosso).

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Carrinho na plataforma da estação de London St Pancras

 

Sentamos em poltronas viradas de frente umas para as outras (duas e duas), com uma mesinha no centro. Tinha um senhor na quarta poltrona, mas ele mesmo tratou de se mudar quando viu o que o aguardava. Aurora dormiu a maior parte do tempo e Clarinha ficou colorindo no iPad. Compramos bebidas e sanduíches razoáveis a preços não abusivos (pode-se pagar em euros ou em libras). Os banheiros eram relativamente espaçosos e estavam limpos.

Foram 2h15 de uma viagem bastante tranquila até Paris, onde chegamos na Gare du Nord, e chamamos um Uber Van. As estações em Paris são mais movimentadas e bagunçadas, por isso há que se ter mais atenção.

Londres

Chegamos em Londres vindos de Bruges (pegamos um trem de Bruxelas para Londres), na estação London King’s Cross St. Pancras.

Londres é a minha cidade preferida no mundo! Tenho verdadeira paixão por Londres. E é um excelente destino para viagens com crianças, tanto pela enorme variedade de atrações quanto pela organização e acessibilidade da cidade.

 

A chegada na estação foi bastante tranquila e a locomoção com malas/carrinho/crianças é bem fácil.

Nós optamos por chamar um Uber, usando o mesmo aplicativo que usamos no Brasil. Só que as opções de veículo variam de país para país, e em Londres há a opção de Uber XL. Com três malas grandes + mala de mão + carrinho duplo + duas crianças, optamos pelo XL. O carro que nos buscou era enorme, tipo uma van, e o motorista coincidentemente era brasileiro. Não é permitido parar na entrada da estação, mas um pouquinho antes ou depois é possível parar rápido para embarque e desembarque. Nossas tralhas couberam com facilidade, e pagamos exatos 14,97 pounds da estação até Notting Hill/Kensington, onde ficava o apartamento que alugamos pelo AirBnB.

 

Nós sempre ficamos na região de Notting Hill, pois gostamos bastante do astral, calmo e bem familiar, com muitos parques e praças, e ao mesmo tempo perto da agitada Portobello Road/ Portobello Road Market, e com estações de metrô e linhas de ônibus por perto.

 

A Portobello Road é uma famosa rua de Londres, com uma feira livre igualmente famosa, a Portobello Road Market. Essa feira/mercado existe desde o século XIX, mas tornou-se particularmente famoso por suas antiguidades na década de 1950. Agora existem inúmeras lojas e barracas que oferecem de tudo, desde frutas e pão até cartazes, roupas, cerâmica e música.

A rua é facilmente acessível a partir das estações de metrô Notting Hill Gate, Ladbroke Grove e Westbourne Park, e pelas rotas de ônibus que atendem Ladbroke Grove e Notting Hill Gate. Os principais dias de mercado são sexta-feira e sábado (quando funciona de 09:00 as 19:00), com um mercado menor de segunda a quinta-feira (de 09:00 as 18:00, exceto quinta-feira, quando termina as 13:00).

 

Transporte

Como muita gente sabe, Londres tem uma excelente rede de metrô (que eles chamam de “tube” ou “underground”, não de “subway”, como nos EUA). Pode-se ir a praticamente qualquer lugar de metrô, e o sistema funciona muito bem, fazendo integrações com trem e ônibus. Nem todas as estações possuem elevador, mas os ingleses são extremamente solícitos a ajudar com carrinho. Mesmo eu e Gustavo carregando nosso trambolho juntos, sempre parava alguém para ajudar também. Eu havia lido no site oficial “Transport for London” que havia um aplicativo chamado “step-free tube” que indicava quais eram as estações acessíveis por elevador, mas não encontrei para baixar. Vale à pena olhar esse site para planejar trajetos. Na hora, usei sempre o Google Maps e funcionou muito bem.

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Para utilizar o transporte público Londrino, é necessário adquirir um cartão, chamado Oyster. Os ônibus de Londres funcionam com o mesmo cartão. É possível comprar a passagem isolada na máquina de auto-atendimento do metrô, mas certamente não compensa (nos ônibus só com cartão mesmo). O ideal é, no primeiro dia, entrar em alguma estação e comprar logo o Oyster (ou até solicitar online). Existem diversas opções, como o diário, o semanal, ou simplesmente inserindo um valor de crédito qualquer, que vai sendo debitado conforme você utiliza. Nós fizemos várias contas, e o semanal pareceu a opção mais barata para quem pretende fazer ao menos 3 viagens ao dia (lembrando que inclui o ônibus). Nós temos os nossos Oyster guardados e levamos para carregar a cada vez. E uma ótima notícia: crianças até ONZE anos não pagam transporte em Londres! O Oyster merece um post inteiro, de tantas características e opções. Mas jamais esqueça: o Oyster deve ser passado na roleta de entrada E de saída! Caso não seja passado na saída, é debitada a tarifa máxima. Não tivemos qualquer problema em andar com o carrinho aberto dentro dos metrôs e ônibus. A entrada do ônibus nivela com a calçada e o carrinho entra fácil. Mas já fechamos, por educação, o carrinho em metrô cheio. No ônibus, só cabe um carrinho/cadeira de rodas, e a preferência é para cadeira de rodas.

Pela primeira vez, resolvemos experimentar andar de taxi em Londres (aquele preto clássico bonitinho, com cara de carro antigo), e nos surpreendemos! O preço não é caro como pensávamos e dá para entrar com o carrinho! Aberto! Acho que é pensado também para cadeirantes. Muito legal e acessível. E é possível pagar com cartão de crédito.

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Nosso carrinho duplo aberto, cheio de bolsas e casacos por cima, dentro do taxi.

Para comer

Assim que chegamos, deixamos nossas malas no apartamento e fomos logo ao supermercado fazer nossas compras de mantimentos. Sempre fazemos compras para cozinharmos comida de verdade para as meninas: arroz, macarrão, frango, carne, ovo, peixe, legumes e até feijão! (As vezes levamos sacos de feijão na mala também!). Em Londres, costumamos fazer compras no Tesco ou no Queensbury. Compramos também produtos de limpeza e lanchinhos (frutas, castanhas, passas, biscoitos).

Próximo à estação de metrô de Notting Hill Gate há uma grande variedade de restaurantes. Como já citei antes, acho o Le Pain Quotidien sempre uma excelente opção. São sempre espaçosos, com mesas grandes, cadeirão, bons banheiros e são receptivos com crianças. E, é claro, boa comida. Desde café da manhã ou lanche/chá da tarde, até as refeições completa (eu gosto bastante dos ovos beneditos deles).

O Pret a Manger e o Costa são cafés (são redes grandes) onde também se encontra boas opções de café da manhã e lanche.

Como de costume, sempre levávamos o almoço das meninas em potes térmicos e eu e Gustavo quase sempre almoçávamos sanduíches ou pequenos lanches e cozinhávamos no apartamento o jantar e o almoço das meninas para levar no dia seguinte. Mas um restaurante que fomos e gostamos foi o Jamie Oliver’s Diner. O chef Jamie Oliver possui alguns restaurantes em Londres. Nós já havíamos ido em um restaurante dele bem família em Notting Hill da outra vez, mas aparentemente este fechou. Desta vez, fomos ao Jamie Oliver’s Diner, que é uma hamburgueria, e fica em Picadilly Circus. As crianças curtem porque é cheia de dinossauros enormes na decoração. A comida é bem gostosa e é muito kid’s friendly (para quem não sabe, o Jamie Oliver tem uma família enorme e valoriza muito essa questão de restaurantes-família).

Quase em frente ao Jamie Oliver’s Diner fica o Rainforest Cafe. Nós não comemos lá, mas visitamos na saída do Jamie Oliver’s Diner. É muito interessante, a parte de cima é uma loja de brinquedos com uma decoração incrível de floresta. As meninas ficaram loucas. No andar de baixo tem o café/restaurante, com a mesma decoração. Ficamos com vontade de visitar em uma próxima vez. Não sei se a comida é boa, mas acho que já vale pela farra.

 

Parques e praças (playgounds)

Apesar de ser uma cidade grande e movimentada, Londres é uma cidade recheada de parques, praças, verde. Sejam as pequenas pracinhas de bairro, ou sejam os parquinhos dentro dos grandes parques, os brinquedos são sempre bem pensados e divertidos. E, muito importante, tem crianças! E criança adora estar perto de criança, mesmo sem entender a língua. Assim, há muita diversão gratuita, e garantia de gasto de energia dos pequenos!

Para os adultos, há belíssimos locais para caminhadas, descanso e piqueniques. Na primavera e verão os parques ficam cheios de gente tomando sol.

Sempre que chegamos a um novo destino, mapeamos logo os “playgrounds” (vulgo “pracinhas”, rs) perto do nosso apartamento, no Google. Para nós, as pracinhas são fundamentais para canalizar aquela energia acumulada da criança de manhã cedo. Dependendo do planejamento do dia, podemos sair de casa rápido, ir a uma pracinha, soltar as feras e voltar. Mas em geral já vamos com tudo pronto para alguma pracinha e depois já vamos direto para o programa do dia. A verdade é que, mesmo nos dias em que vamos direto para lugares onde elas possam brincar, só o trajeto, mais a entrada e tal pode levar mais de 1h (sem contar as 2h de preparação para sair de casa!), e para elas isso pode já ser muito tempo com a energia contida (e nós, mães e pais, sabemos muito bem o resultado dessa energia retida…). Assim, o parquinho da esquina pode ser seu grande aliado. Com frequência já até damos o almoço lá, pois elas acordam muito cedo e 11h já estão com fome. Durante o dia, entre passeios mais chatos para crianças, os parquinhos também são uma excelente opção, então, sempre vale dar um Google Maps (“perto de mim” e “playgrounds”).

Perto de onde estávamos, em Notting Hill, havia dois parquinhos bem legais: Tavistock GardensColville Square Gardens. Na verdade, havia uma infinidade, mas esses foram os que frequetamos.

Nos grandes parques também existem parquinhos, maiores ou menores. Diana’s Memorial Playground, dentro do Hyde Park, é um dos mais legais. Chega a fazer fila nos horários de pico, e adultos não podem entrar sem criança. No próprio Hyde Park tem ainda vários outros parquinhos menores bem legais.

 

Atrações

Londres possui uma infinidade de excelentes museus. E são de graça! Esse site oficial fala de todos eles. Na grande maioria, eles recomendam uma doação. A gente costuma fazer a doação e comprar coisinhas do museu. Principalmente livrinhos de atividades sobre o museu, que ajudam a criança a se interessar mais pela visita. Alguns dos mais conhecidos são o British Museum, o Natural History Museum, o Victoria & Albert Museum.

Nós já havíamos ido nestes das outra vezes, sozinhos. Levamos Clarinha com 1 ano e 4 meses do Natural History. Ela se interessou bastante, principalmente pelos dinossauros, mas foi um pouco cansativo. Desta vez, haviam nos falado que o Science Museum era super-interessante para crianças, e resolvemos visitar. Só que Clarinha não ligou a mínima para o museu. Para falar a verdade, nunca vi Clarinha se interessar tão pouco por alguma coisa. E olha que compramos o livrinho de atividades sobre o museu e tal. Acredito que talvez para os maiores, a partir de 7 ou 8 anos, que gostem de foguetes, planetas, etc. Pelo menos tinha uma lanchonete boa, com almoço de verdade e lanches, com bom preço. Saímos de lá e fomos para uma exposição de borboletas, que ficava nos jardins no Natural History Museum, no mesmo quarteirão. Essa valeu muito à pena! Tinha uma parte só de casulos, de verdade, onde era possível inclusive ver borboletas saindo.

 

O Sea Life Aquarium é um excelente passeio para todas as idades. A enorme variedade de peixes coloridos prende a atenção, em um ambiente climatizado e com boa infra-estrutura. Nós compramos o ingresso no site The London Sea Life Aquarium, em um combo, junto com os ingressos para o London Eye (a famosa roda gigante, com uma vista espetacular) e o Shrek Adventure. Essas três atrações ficam no mesmo lugar, em Westminster, o que torna bem fácil fazer tudo em um mesmo dia, sem ser cansativo.

Neste combo, nós marcamos horário para as três atrações no Shrek, que foi onde resolvemos ir primeiro.

O Shrek Adventure é uma atração bem interessante. Já vale à pena só pela qualidade da produção. São 7 momentos diferentes, onde o público vai em busca do Shrek em diferentes cenários, interagindo com personagens. Obviamente, as crianças que não falam inglês perdem boa parte do sentido da história por conta da língua, mas ainda assim é divertido e muito bem feito. Principalmente o ônibus simulador, que “voa”. Clarinha amou loucamente, principalmente porque aparecem os personagens de “Como Treinar seu Dragão”. Aurora foi no colo (dava para levar o carrinho), e ficou meio alheia a tudo. Não se assustou nem se incomodou, mas também não se interessou. No final, eles vendem as fotos tiradas com os personagens, em vários pacotes diferentes. Nós nunca compramos essas fotos de fim de atrações, mas dessa vez achamos que valia à pena. Compramos um pacote que incluía álbum de fotos e chaveiros. No final da atração, assim como na Disney, tem uma lojinha. Não sei se foi impressão minha ou a moeda ou a conversão, mas achei as coisas com preços bem mais razoáveis do que nos parques dos EUA.

 

 

Quando saímos, já estava no nosso horário para o London Eye. Para visitantes que já possuíam ingressos em mãos, havia uma fila relativamente grande, mas que andava rápido. Levamos uns 10-15 minutos. Pode levar o carrinho, mas ele deve permanecer fechado dentro da cabine. Dentro de cada cabine da roda tem bastante espaço e eles não colocam muita gente, fica bem confortável. As fotos saem ótimas.

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Foto tirada do alto do London Eye.

Do London Eye, fomos ao Sea Life Aquarium. Como o aquário é grande, não costuma encher e costuma ter bastante horário disponível. É um aquário grande, com bastante variedade, e as crianças gostam. É um passeio calmo e interessante. Bom inclusive para dias de chuva (assim como o Shrek, só que com chuva ambos enchem mais, pois todo mundo tem a mesma idéia).

Outro passeio legal que fizemos foi o tour na Tower Bridge. Também compramos o ingresso pelo próprio site Tower Bridge Exhibition, na véspera. O tour conta a história da construção da famosa ponte londrina, com fotos e vídeos, mostra a maquinaria que abre a ponte, conta a história de funcionários da construção, além de mostrar fotos das mais famosas pontes do mundo. E, a atração principal: é possível atravessar de um lado ao outro passando pelo chão de vidro da ponte. Uma sensação diferente e uma vista super-interessante, que rende fotos bem legais. As crianças ganham um lápis e um livrinho de atividades. É um passeio relativamente rápido. Lá tem elevador e é fácil transitar com o carrinho. Os banheiros são limpos. Não tem lugar para comer, mas descendo da torre achamos uma birosca bem embaixo, com uma vista incrível e uma dona antipática. Só é permitido sentar se for consumir comida (bebida não serve). Como precisávamos sentar para dar o almoço das meninas e a vista era linda, pedimos uma pizza e cerveja. Bem mais ou menos, mas valeu o momento.

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Tower Bridge

 

Um “passeio” clássico é a famosa Harrod’s. Para as crianças, vale pela sessão de brinquedos. É possível brincar com varias coisas e tem vários funcionários fazendo demonstrações, truques de mágica, tatuagens, etc. É claro que as crianças vão pedir o mundo e a gente acaba comprando uma coisinha ou outra. Mas tem opções legais sem gastar uma fortuna. Antigamente tinha ainda um Disney Café, que as crianças amavam, mas fechou. Para os adultos, vale à pena ir na sessão de alimentos, que parece um enorme bar, e comer chocolates, macarrons, frutos do mar e tomar vinho ou espumante.

 

Vale também visitar a Hamley’s, a loja de brinquedos com 7 andares! É a sessão de brinquedos da Harrods multiplicada por 7. Dá para passar uma tarde inteira com as crianças se divertindo. Uma excelente opção para um dia de chuva. No último andar tem um café que vende muffins e afins, mas sem muita opção, além de um stand de smoothies.

 

O Madame Tussaud é o famoso museu de cera, que exibe estátuas em cera de personalidades famosas, com um realismo surpreendente. Não já havíamos ido sem crianças. E não tivemos vontade de repetir. Achei que não seria muito interessante para elas, pois não conhecem a grande maioria das pessoas representadas e não tem nada muito interativo. Como é um museu caro, decidimos não ir dessa vez. Mas talvez eu esteja enganada e seja interessante para os pequenos também. De qualquer forma, os grandes costumam gostar. É possível comprar ingresso no mesmo combo do London Eye, Shrek Adventure e Sea Life Aquarium. Acaba saindo com um bom desconto.

Outra atração “quente” em Londres é a visita aos estúdios onde foram gravados os filmes do Harry Potter. Eu dei mole nas minhas pesquisas pré-viagem e não sabia sequer da existência. Descobri o site uma semana antes de viajar e já não tinha mais ingressos para as nossas datas. Aparentemente os ingressos esgotam com alguns meses de antecedência. Deixei para tentar de novo quando chegamos em Londres, inclusive pelo telefone, e dei mole de novo. É comum disponibilizarem ingressos na semana anterior, por desistências e cancelamentos, mas não na própria semana, e isso realmente aconteceu. Surgiram ingressos disponíveis para uma semana depois, mas já não estaríamos mais em Londres. Ou seja, a dica é comprar com bastante antecedência. Caso não consiga, vale seguir entrando no site e tentando (a venda é só pelo site), principalmente na semana anterior. Vi na internet que algumas empresas oferecem pacotes com transporte (fica um pouco fora da cidade), ingressos e até outros passeios relacionados, mas achei tudo muito caro. O próprio ingresso sozinho já é caro. Mas me arrependi de não ter descoberto essa atração com tempo hábil e na próxima ida a Londres certamente vou comprar com antecedência.

Outro passeio muito interessante e clássico é a visita à  Torre de Londres. Nós não fomos desta vez, mas já havíamos ido duas vezes anteriormente, sendo uma com a Clarinha. A Tower of London é um castelo histórico, fundado em 1066. O castelo foi utilizado como prisão de 1100 até 1952, apesar desta não ter sido sua função principal. Ele inicialmente foi usado como residência real como um grande palácio. Atualmente, lá ficam guardadas as jóias da Coroa, que ficam expostas aos visitantes. Como um todo, o complexo da Torre de Londres é composto por vários edifícios localizados dentro de muralhas de defesa e um fosso. A Torre de Londres é atualmente um dos pontos turísticos mais populares da Inglaterra, e é protegida como um Patrimônio Mundial.

 

De Londres, fomos de trem para Paris, nosso último destino nessa viagem!

Viagem de trem Bruxelas-Londres

Para o trecho Bruxelas – Londres, optamos por comprar passagens de trem. Eu prefiro viagens de trem por diversos motivos:

– Não precisa chegar com horas de antecedência

– Check-in mais rápido

– Não precisa despachar a bagagem, e não há limite de volume e peso

– Mais espaço e mais atrativos para distrair crianças, fazendo o tempo passar mais rápido

– Maior conforto, não ficamos igual sardinha em lata. Com família, é possível pegar duas duplas de poltronas uma de frente a outra, com uma mesinha no meio.

– As estações de trem costumam ser bem centrais, o que facilita muito o deslocamento de/para a estação, além da economia de táxi/shuttle

– Em geral a passagem é mais barata

– Não ter que prender a criança na cadeira na aterrisagem/decolagem ou turbulência (parece besteira, mas esse momento pode ser absurdamente difícil e desesperador, principalmente quando a criança está dormindo)

– Tenho medo de avião

 

Para trechos maiores, o trem noturno é uma excelente opção. A viagem passa rápido, e ainda se economiza uma noite em hotel.

Compramos pelo site da companhia de trem, a Thalys, com bastante antecedência, e conseguimos tarifas boas

Saímos de Brugge de carro, rumo à Bruxelas. Lá pegaríamos o TGV para Londres. A passagem é digital, baixada no celular (My Wallet do iPhone). Tentei imprimir porque sou dessas, mas não consegui.

A estação de trem Brussels-Midi é bastante tranquila e segura. O banheiro é pago e tem alguns cafés antes do check-in, mas achei os depois do check-in, na área de embarque melhores. Tem cafés, restaurante e loja de chocolate

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Brussels-Midi

O check-in foi rápido, mostrando somente as passagens no celular. Mas é preciso passar pelo controle de fronteiras, com raio X, entrevista e tal, e essa parte foi bem demorada. Chegando na nossa vez, foi rapidinho, mas vi os funcionários da Alfandega fazendo bastante perguntas para alguns passageiros.

Esperamos um pouquinho no salão de embarque, o suficiente para tomarmos um café e comprarmos sanduíches para comer no trem.

Foi bastante tranquilo ir com nosso carrinho duplo trambolho até a plataforma, na porta do trem. Eu empurrei o carrinho com as meninas uma mala de mão pendurada no carrinho e uma mala, e o Gustavo com as duas malas maiores. Chegando na porta do trem, fiquei com as meninas na plataforma enquanto ele entrou com as malas, uma a uma, e colocou no bagageiro próximo à porta do nosso vagão. Depois entrei com as meninas e ele dobrou o carrinho e colocou lá também. Absolutamente nenhuma questão com espaço. Pelo contrário, espaço de sobra. Tinha uma moça sozinha com carrinho de bebê e malas, e prontamente apareceu um funcionário para ajudar.

Entramos todos e sentamos nos nossos lugares, como compramos apenas 3 poltronas, havia um senhor na quarta poltrona. Ele prontamente procurou um lugar vazio e trocou de lugar (esperto, eu também teria feito o mesmo). Antes mesmo do trem sair, Clarinha já fez uma amiguinha. Uma menina australiana, da mesma idade, que estava com os pais. Uma não entendia absolutamente nada do que a outra falava, mas isso não pareceu atrapalhar. Passaram a viagem brincando de bonecas, colorindo e fazendo quebra-cabeça no iPad (cuja bateria acabou em 10 minutos, por total falta de planejamento nosso). Aurora dormiu um período no colo do Gustavo, depois acordou e ficou na paz, olhando a paisagem.

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Há banheiros em todos os vagões, e são um pouco mais espaçosos do que os de avião. Há também um vagão restaurante, com lanches (sanduíches, biscoitos, etc) com preço normal. Dependendo do trem e do itinerário, são vendidas refeições.

E assim as 3 horas de viagem transcorreram tranquilamente (atentar que tem fuso horário entre a Bélgica e a Inglaterra). Chegando na estação de London St. Pancras, o desembarque foi super tranquilo. Chamamos um Uber XL. Veio um carro enorme, que comportou perfeitamente todas as nossas volumosas tralhas (veja aqui no post sobre Londres).

 

Bruges

Partimos de carro do Efteling, na Holanda, para 3 noites em Bruges, na Bélgica. A viagem é rápida e bem tranquila. São cerca de 190 Km, mais ou menos 2h20 em uma excelente estrada.

Primeira informação sobre Bruges: o nome. Eu sempre achei que fosse Brugge, aí o Gustavo dizia que era Bruges, e resolvi me informar. A Bélgica é um país com 3 línguas oficiais (eu achava que eram 2): nederlandês, francês e alemão. Assim, o nome da cidade é Brugge em nederlandês, Bruges em francês, e Brügge em alemão. Fiquei com Bruges, porque prefiro francês.

Bruges é uma pequena cidade histórica com 120.000 habitantes, conhecida como “Veneza do Norte” por causa de seus canais.

 

As primeiras fortificações foram construídas após a conquista do Menappi por Júlio César no século I a.C., com intuito de proteção da zona costeira contra piratas. Já no século IV, a região foi tomada aos romanos pelos Francos e as incursões dos Vikings por volta do século IX, obrigaram a que Balduíno I da Flanders reforçasse as antigas fortificações. Foi também nesta época que se fortaleceram as relações comerciais com a Inglaterra e a Escandinávia, e surgiram as primeiras moedas gravadas com o nome Bryggia (significa “porto” em neerlandês remoto).

Em 1128, Bruges foi elevada a cidade e construiu novas muralhas e canais. Com o raiar do século XII, Bruges foi incluída no circuito comercial flamengo, sobretudo devido à sua emergente indústria de lã e tecidos. Em 1277, o primeiro barco mercante partiu de Gênova e atracou no porto de Bruges, o primeiro da rota mercantil que tornou Bruges a principal conexão com o comércio do mar mediterrâneo.

No século XV, Filipe O Bom, duque da Borgonha assentou corte em Bruges (bem como em Bruxelas e em Lille) atraindo muitos artistas, banqueiros e outras personalidades proeminentes de toda a Europa.

Na segunda metade do século XIX, Bruges tornou-se um dos primeiros destinos turísticos, atraindo turistas britânicos e franceses.

Seu centro histórico é Patrimônio Mundial da Unesco desde 2000, e foi designada Capital Européia da Cultura em 2002.

Bruges é uma cidade medieval incrivelmente preservada. Charmosa e majestosa. Parece uma cidade de conto de fadas. Sem dúvida uma das cidades mais lindas da Europa. Em Bruges, você é transportado para séculos atrás.

 

Nós somos completamente apaixonados pela cidade. Eu já havía visitado Bruges 4 vezes, essa foi a 5a vez, tendo sido a última já com a Clarinha, com 1 ano e 3 meses. Ficamos no Hotel Patritius, um casarão antigo, com quartos agradáveis, camas confortáveis e um café-da-manhã delicioso. Não é exatamente child-friendly, mas não chega a ser child-unfriendly. É belga, né? Na minha experiência, não achei os belgas propriamente apaixonados por crianças. Na verdade, eu tenho a impressão de que eles meio que fingem que elas não existem. Triste.

A praça central, Markt, é o coração da cidade. Ela é rodeada de casas de diversos períodos da história, com a fachada preservada, onde hoje funcionam comércios, principalmente restaurantes. Nela fica o Palácio Provincial (Proviciaal Hof), onde funciona uma atração chamada Historium Brugge que me pareceu bem interessante (não fomos porque só descobri no final do último dia). Pelo que entendi, não é exatamente um museu, mas uma experiência histórica”, como eles chamam, onde são simuladas situações dos tempos medievais de Bruges, com músicas e efeitos especiais. Dentro deste prédio também há um centro de atendimento ao turista. Nessa praça fica também o Campanário (Belfort), que possui uma torre enorme. É possível subir seus 366 degraus e ter uma vista espetacular da cidade. No centro da praça há uma estátua e diversas charretes, compondo um cenário que realmente dá a sensação de conto de fadas.

Outra coisa bem famosa no Markt é o trailer de batatas-fritas que fica em frente ao Campanário. No site oficial de Bruges, eles anunciam como a melhor batata-frita do mundo!

 

Da Markt sai a Breidelstraat, que liga o Markt a outra praça, Burg. Essa praça é ocupada desde o século 2 A.D.!! Nela fica a prefeitura (Stadhuis) e a Basílica do Sangue Sagrado (Heilig Bloedbasiliek), onde é guardada a relíquia do sangue sagrado.

 

Para o lado oposto ao da Breidelstraat, sai da Markt a Steenstraat a rua mais movimentada da cidade, repleta de lojas famosas e chocolaterias. A rua paralela a ela também é cheia de lojas e, ligando uma rua à outra, há vários becos e ruelas interessantes. Mais adiante, há ainda outra praça, a Simon Stevinplein.

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Simon Stevinplein

 

Há 300 metros da Simon Stevinplein, há a Onze-Lieve-Vrouweker ou Our Lady Church (Não consigo traduzir como Igreja de Nossa Senhora, me soa esquisito, apesar de ser a tradução correta), uma grande igreja que começou a ser construída em 1225 e é a ilustração perfeita do trabalho dos artesãos de Bruges. Sua torre de 115,5 m de altura, o torna o segundo edifício de tijolos mais alto do mundo. A igreja exibe uma valiosa coleção de arte, com a mundialmente famosa “Madonna e Criança” de Michelangelo, além de inúmeras pinturas, sepulturas seculares do século XIII e os túmulos de Maria da Borgonha e Carlos o Temerário.

 

Museus também não faltam na cidade. Como já mencionei, o museu da Onze-Lieve-Vrouweker possui uma coleção riquíssima e mundialmente famosa. No próprio prédio do Campanário, embaixo, tem um museu onde estava tendo uma exposição (não sei se fixa ou permanente) do Salvador Dali. O Groeningemuseu é um museu de artes plásticas que apresenta obras de uma grande variedade de artistas belgas de diversos estilos.

Há ainda o Hospital de St. John ou Oud Sint-Janshospitaal, que é um hospital do século 11, próximo à Onze-Lieve-Vrouweker. É um dos edifícios hospitalares mais antigos da Europa.  O hospital cresceu durante a Idade Média e era o lugar onde peregrinos e viajantes doentes eram atendidos. O local foi posteriormente expandido com a construção de um mosteiro e um convento. Apenas em 1977 sua função foi transferida para um hospital mais moderno em Brugge Sint-Pieters. Atualmente, parte do complexo hospitalar detém o popular Museu Hans Memling, onde são exibidas várias obras, como trípticos, registros hospitalares, instrumentos médicos e outras obras de arte.

Por ter um turismo intenso, Bruges conta com bastante comércio, desde de H&M até lojas finas. A Kipling é belga e tem uma loja lá! Nós fizemos muitas compras na Inno, uma gigantesca loja de departamento multimarcas, com várias marcas boas com preço em conta. E ainda tem Tax Free!

Outra loja que é atração na cidade é a Kathe Wohlfahrt, loja de Natal, com uma infinidade de enfeites.

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Kathe Wohlfahrt

 

Há muita variedade na parte de gastronomia também, com uma grande diversidade de cafés e restaurantes. E, é claro, chocolates belgas. A Bélgica tem tradição em chocolates finos e deliciosos e Bruges é considerada a capital Europa do chocolate. Em cada esquina há uma chocolateria maravilhosa. O chocolate da The Chocolate Line é considerado o número 1 do mundo!

Como quase toda pequena cidade em qualquer lugar do mundo, Bruges não é riquíssima em atrativos para crianças. Quando se vai em uma viagem de adultos, os passeios são bem diferentes e as dicas mudam bastante. Vale à pena, por exemplo, visitar as cervejarias locais. Com crianças, é complicado, pois são todas pequenas, escuras, úmidas e cheias de escadas.

Com duas pequenas, resolvemos focar em passeios mais abertos, apesar do frio (não se engane, a Bélgica segue a linha da Holanda em matéria de frio! Jamais a subestime!).

Vale à pena fazer o passeio de charrete, apesar do preço exorbitante (50 euros!). O trajeto passa por pontos legais da cidade e faz uma parada no Begijnhof, um convento que é considerado patrimônio mundial. Ele é habitado por freiras do mosteiro de São Bento. São casinhas que cercam um jardim central lindo. Do lado de fora, há o belíssimo Lago do Amor, cheio de cisnes enormes.

 

 

Outro passeio interessante que fizemos da primeira vez que fomos com a Clarinha é o passeio de barco pelos canais. É possível conhecer partes lindas da cidade que só são acessíveis de barco, e ouvir um pouco sobre a história local. O site oficial da cidade tem todas as informações sobre os locais, preço (8 euros) e horários (10:00-18:00).

 

Procurando atividades voltadas para crianças, descobri que há uma fazendinha medieval no entorno de Bruges, a Kinderboerderij De Zeven Torentjes (na internet, a gente encontra como Cafeteria Kiboe, que é o restaurante local). Esta é uma fazenda do século XIV para crianças, com uma ótima área de recreação e animais de fazenda. Resolvemos visitar e aproveitar para experimentar um passeio de bicicleta, algo que eu sempre quis fazer, e que sei que as meninas adoram. No centro de informações turísticas, eles fornecem um mapa de todas as lojas de aluguel de bicicletas da cidade. O hotel também havia fornecido um mapa de lojas de aluguel de bicicletas, com desconto. Rodamos várias, mas só em uma encontramos o que queríamos: Aquele caixote fechado, que cabe duas crianças. Nas demais só havia cadeirinhas ou bicicletas triplas. Como estava muito frio e eventualmente chuviscava, queríamos o tal caixote. Alugamos em uma loja na Niklaastraat.

 

 

Assim, pedalando, rumamos para a fazendinha! O lugar é muito legal, tem um parquinho de brinquedos de areia, simples, mas com bastante brinquedos. Tem um restaurante bem child-friendly, com cadeirão, banheiro, brinquedos simples. O menu não é grande e é simples, mas é bem gostoso. E, uma grata surpresa! Tem um aviso na porta, incentivando a amamentação. Não que nos outros lugares seja proibido ou que eu deixe de amamentar (apesar de que tento ser discreta). Mas um aviso desses sempre nos deixa, mães, lactantes, mais à vontade. E, obviamente, tem bichos de fazenda. Vimos carneiros, galinhas, coelhos e porcos (gigantescos!).

 

 

Outra atividade que tem para crianças nos arredores de Bruges é o Boudewijn Seapark, uma espécie de parque aquático, com shows de golfinhos e tal. Não fomos porque estava frio e porque não curto shows com animais.

Para comer, não faltam boas opções. Na Burg há um Le Pain Quotidien (que é sempre uma ótima opção). É grande, com vários ambientes confortáveis e aconchegantes, e possui opções de pratos, lanchinhos e doces.

Para refeições, as opções também são muitas. Na Kemelstraat, que sai da Breidelstraat, há dois resurantes um em frente ao outro, chamados The Hobbit e The Habit. Reza a lenda que o The Hobbit pertencia a um casal que se separou, e a dona saiu e abriu o The Habit. Quem nos contou foi uma amiga nativa de Bruges, não sei se é verdade, mas já fui nos dois e a comida é bem gostosa. No The Hobbit não fomos muito bem recebidos desta última vez. Estávamos com as meninas, carrinho, etc, e o dono foi bem grosseiro. No The Habit fomos super bem recebidos, nos deram papel e giz de cera para as meninas, arrumaram espaço para o carrinho-trambolho (o restaurante é pequeno, com ares de taberna). Lá conheci uma cerveja deliciosa, a Bourgogne de Flandres.

Outro lugar interessante que descobrimos foi uma doceria/padaria na Eiermarkt, chamada Aux Merveilleux, com doces e pães sensacionais.

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Aux Merveilleux

Há ainda outros restaurantes muito recomendados, mas que não chegamos a ir. Os mais conhecidos são: De Karmeliet, Refter e Saint Amour.

A cerveja também é um ponto alto da Bélgica. As cervejas belgas são provavelmente as melhores do mundo, e Bruges conta com cervejarias famosas. A Halve Maan Brouwerij (Brouwerij quer dizer cervejaria) é uma cervejaria local que produz, entre outras cervejas, a Brugse Zot. Lá é possível visitar a fábrica e conhecer o processo de fabricação, mas não recomendo esse passeio com crianças, principalmente tão pequenas (mas mesmo grandes). Lá há um restaurante, com boa comida e, claro, boa cerveja.

 

Outro lugar muito interessante, (fomos mesmo com a Clarinha pequena, mas nos revezamos com ela do lado de fora) é a ‘t Brugs Beertje, é um bar de cervejas com mais de 300 rótulos, com ambiente de taberna.

O The Bottle Shop não é uma cervejaria, é um mercadinho de cervejas, bem com cara de marcadinho da esquina mesmo. Mas vale a visita pela gigantesca quantidade de rótulos e pelo preço. Para quem quer trazer cerveja para o Brasil, lá é um bom lugar para comprar.

Agora, a verdadeira jóia cervejeira de Bruges fica completamente escondida aos olhos dos simples transeuntes. Na verdade, até hoje não sei como fomos parar lá. Um pouco à direita de quem sai da Kathe Wohlfahert, na própia Breidelstraat, há uma discreta portinha entre as lojas La Belgique Gourmande e La Bruyerre, que leva a um beco. Em cima da portinha está escrito “The Cookies Food and Drink”, que é um restaurante do beco. Lá no meio do beco fica o tesouro: a cervejaria Staminee de Garre. É uma cervejaria bem pequena, com ar medieval (porque deve de fato ser), e uma carta de rótulos boa. A Tripel De Garre é famosa por ser uma boa cerveja servida apenas lá.

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Portinha de entrada do beco onde fica a Staminee De Garre, escondida entre duas lojas (Imagem: Google Street View).

 

Em suma, Bruges não só é uma cidade linda, histórica e romântica, mas cheia de vida e atrativos!

De lá, dirigimos até a estação de Brussels-Midi, em Bruxelas, devolvemos nosso carro na Hertz e pegamos nosso TGV para Londres.

 

Resumindo Bruges (site oficial de turismo da cidade aqui):

Pontos turísticos:

  • Markt
  • Campanário
  • Palácio Provincial
  • Burg
  • Basílica do Sangue Sagrado
  • Church of Our Lady
  • Old St. John’s Hospital
  • Convento de São Bento/Lago do Amor
  • Canais

Restaurantes e chocolates:

  • The Hobbit (Kemelstraat 8)
  • The Habit (Kemelstraat 9)
  • De Karmeliet (Langerstraat 19)
  • Refter (Molenmeers 2)
  • Saint Amour (Oude Burg 14)
  • Le Pain Quotidien (Simon Stevinplein 15)
  • Trailer de batata-frita em frente ao Campanário
  • The Chocolate Line (Simon Stevinplein 19)
  • Aux Merveilleux (3A EierMrakt)

Cerveja:

  • Halve Maan Brouwerij (Walplein 26)
  • ‘t Brugs Beertje (Kemelstraat 5)
  • The Bottle Shop (Wollestraat 13)
  • Staminee de Garre (De Garre 1)

Lojas:

  • Inno (Steenstraat 13)
  • Kipling (Geldmuntstraat 41)
  • Kathe Wohlfahrt (Breidelstraat 8)

Com crianças:

  • Kinderboerderij De Zeven Torentjes/Fazendinha medieval (Canadaring 41)
  • Passeio de charrete
  • Passeio de barco
  • Passeio de bicicleta
  • Boudewijn Seapark (Alfons de Baeckestraat 12)

 

 

 

Efteling

O Efteling é um parque de diversões, em Kaatsheuvel, mais para o sul da Holanda, a 1h15 de Amsterdam. A temática é de contos clássicos, e tem atrações para todas as faixas etárias. O parque conta com hotéis que oferecem diversos tipo de acomodações, e os pacotes já incluem ingressos e café-da-manhã.

Em teoria, a reserva pode ser feita pelo site. No entanto, é necessário realizar um cadastro, e o formulário online não permite a opção de “Brasil” como país. Assim, tive que telefonar para lá e realizar a reserva pelo telefone. Pagar também deu trabalho, visto que tentei, na mesma ligação, todos os meus cartões e os do Gustavo, e eles não conseguiram com nenhum. Eles mesmo disseram que isso é comum lá com cartões estrangeiros. Fato é que tivemos que ligar e conversar diversas vezes, e conseguimos manter a reserva para pagar apenas no momento do check-in. Outra opção seria ir ao banco para realizar transferência internacional.

Ainda assim, no site você consegue checar os quartos disponíveis e os valores. Vale à pena tentar reservar o quanto antes, porque realmente esgota, principalmente as suítes temáticas. Além disso, os preços são 20% mais baratos quando se reserva com 4 meses de antecedência.

A primeira vez que olhei o site, fiquei um pouco confusa. No ícone “Overnight Stays”, é possível verificar os 3 hotéis do parque: Efteling Hotel, Efteling Village Bosrijk e Efteling Village Loonsche Land. Eu escolhi o Efteling Hotel, porque é ao lado do parque, as suítes me pareceram bonitas e o preço era bom. Confesso que não perdi muito tempo com os outros dois, mas o Village Bosrijk parece ter apartamentos maiores, com cozinha e tal, mais luxuosos, e o Village Loonsche Land parece ter uns quartos bonitinhos, bem simples, com opções para grupos maiores, e são um pouquinho mais afastados do parque (20 minutos a pé). Há ainda a opção de casas, para 6 a 12 pessoas, de tamanhos, estilos e localizações variadas. Como eu disse, são diversas opções e eu achei bastante confuso. Meu conselho é: explore as opções pelos ícones na barra de cima (Efteling Hotel, Efteling Village Bosrijk e Efteling Village Loonsche Land). Quando tentei clicando nas opções  “Hotel Rooms”, “Holiday Homes” e “Apartments”, no meio da página de “Overnight Stays”, achei uma zona.

Entrei no ícone “Efteling Hotel” para tentar realizar a reserva, mas vi que a cada hora apareciam suítes diferentes. Eles têm suítes temáticas, cada uma no tema de uma história diferente, que são mais caras do que as comuns, mas bem maiores (e mais legais!). Aí entendi que só apareciam as suítes disponíveis para o período solicitado. Para conhecer todas as diferentes suítes, é preciso ir na parte de “Efteling Hotel” e depois “Themed Suítes”.

Eu acabei demorando muito para fazer a reserva de fato, por essa confusão no cadastro, e perdi tanto o desconto da reserva antecipada quanto as suítes temáticas, que esgotaram. Acabei reservando uma das suítes comuns (Comfort Room). A Comfort Room 5 – Person (“5 – person” mesmo, vai entender) é um pouco mais cara do que a suíte básica, mas preferi por causa da cama beliche (triliche), que achei que a Clarinha iria gostar (de brincar, não de dormir, rs).

Nós havíamos alugado um carro, então fomos da cidade onde estávamos, Vinkeveen, para Kaatsheuvel, onde fica o Efteling, dirigindo. Foi bem fácil de chegar com o Google Maps.

Primeira coisa a dizer sobre Kaatsheuvel: Estava frio. Dias lindos, ensolarados e frios. Sempre gosto de ressaltar isso. Jamais subestime o frio da Holanda. Difícil sair muito cedo e, perto de meio-dia, no sol, fica super quente e a gente começa a tirar todas as 54 camadas de roupa.

 

O quarto só é liberado às 15:00, mas a qualquer hora você pode realizar o check-in, deixar as malas em um armário na recepção e pegar os ingressos para aproveitar o parque. O mesmo acontece após o check-out, pode-se deixar as malas e passar o dia no parque. Assim, passamos 3 noites no hotel e aproveitamos 4 dias inteiros de parque. A recepção é child-friendly: escada para a criança ficar na altura do balcão, banheiro infantil, um parquinho indoor (e outdoor, que não fomos), televisão passando os contos de fadas, as crianças ganham livrinhos e lápis de cor. E ainda ganham um cartão postal para preencher e devolver na recepção, que eles enviam para você (aqui chegou direitinho! Uma felicidade só!).

 

O quarto é de bom tamanho (29 m2) e  muito bem decorado. Tem um jogo de tabuleiro temático e vários detalhezinhos fofos. As camas são confortáveis (uma cama king e uma triliche linda) e o banheiro é bom, com redutor de assento e um armário-step embaixo da pia. Fiquei imaginando como as suítes temáticas devem ser lindas e fiquei me martirizando por não ter conseguido reservar. Em uma próxima, reservarei com certeza!

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Meninas jogando o jogo de tabuleiro no quarto.

O café-da-manhã está incluído na diária e é muito bom. É preciso escolher o horário no momento do check-in. Para o jantar, o restaurante oferece a opção a la carte ou buffet, mas para ambos é preciso escolher horário e reservar. Nós jantamos todos os dias no buffet e não nos arrependemos. A comida é bem gostosa e o preço é aceitável (cerca de 30 euros por adulto e 14 por criança), além da praticidade de ser dentro do hotel (o que conta muitos pontos no frio, e com crianças que dormem cedo, como as minhas).

O parque fica a menos de 4 minutos a pé do hotel, de porta a porta (sim, eu me dei ao trabalho de cronometrar). É só ir seguindo as pegadinhas amarelas. Isso me impressionou bastante, em comparação aos parques de Orlando. Eu moooorro de preguiça daquela peregrinação de levar 10-30 minutos de carro ou (dependendo de onde se hospeda), estacionar naquele sol, andar até o trenzinho, esperar na fila, pegar o trenzinho, andar até a entrada, fazer fila para revista das bolsas, andar até o trem ou barca, depois andar, mais e mais e mais. Fiquei cansada só de escrever. Entre sair de casa e entrar no primeiro brinquedo deve levar umas 2h, sem exagero. Os menorezinhos já estão com sono e/ou com fome quando chegam. Para ir embora, a mesma novela. É muito cansativo e o tempo útil no parque fica muito reduzido. Eu particularmente acho isso bem sofrido. Nesse ponto, o Efteling é um paraíso. Você sai do hotel e em 5 minutos, no relógio, a criança já está se divertindo. Achei isso maravilhoso. As tais pegadinhas levam a uma entradinha simples, nada megalomaníaco como na Disney. Simplesmente um portão com um ser humano que abre a tranca. Passando esse portão, já há um parquinho para os menores brincarem. Nessa entrada também, é possível alugar “push-chairs”, umas cadeirinhas de madeira para a criança sentar e ser empurrada/puxada pelo adulto, tipo um carrinho-de-mão, a 4 euros.

 

 

 

O parque é todo lindo. Em todos os detalhes. Não deixa nada a desejar aos parques da Disney, com a vantagem de andar muito menos entre as atrações e de ter comida boa. E de ser infinitamente mais vazio.

 

A quantidade e diversidade de atrações é enorme, para todas as idades. Vale à pena baixar o app gratuito e ir dando uma estudada nos brinquedos, altura mínima, etc. Um ponto alto é a floresta encantada, que é uma graça. Mas fiquei realmente surpresa com a quantidade de atrações. O parque tem vários “núcleos”, e cada um conta com uma infinidade de brinquedos, desde os mais simples, tipo carrossel, até os mais elaborados, como montanhas-russas. Para a idade da Clarinha (4 anos), as opções são inúmeras. E, como era vazio, ela repetia e repetia (e repetia e repetia). Os preferidos dela foram:

  • Playground Kleuterhof: um parquinho bem parquinho mesmo, mas bem divertido. Fica logo na entrada do parque.
  • Droomvlucht: Um passeio pelo mundo das fadas e duendes. Para toda a família. As duas amaram.
  • Floresta Encantada (Fairytale Forest): Uma floresta onde você vai passeando e a cada curva se depara com o cenário de um conto diferente.
  • Carnaval Festival: Um análogo do “It’s a Small World”, do Magic Kingdom. Um passeio por diversas culturas. Para toda a família. As duas adoraram.
  • Villa Volta: Um simulador, onde você fica em uma sala e aparentemente vira de cabeça-para-baixo. Para qualquer idade, mas não levei Aurora. Clarinha amou e foi diversas vezes.
  • Bobsleigh Ride: Uma montanha-russa para todas as idades (desde que a criança ande). Clarinha é louca por montanha-russa, então esse foi o ponto alto para ela.
  • Halve Maen: Barco Viking. Não vira dá a volta completa. Esse foi o preferido da Clarinha.
  • Adventure Doolhof: Labirinto bem legal.
  • Monsieur Canibale: Estilo xícara que roda. Clarinha ama e foi umas 200 vezes (Atenção que tem uma xícara por eixo que gira bem menos. Melhor pra quem enjoa e pior pra quem quer emoção).
  • De Oude Tufferbaan (Classic car ride): Um passeio em um carro antigo, que anda sobre um trilho. Clarinha amou porque ela que “dirigiu” o carro.
  • Monorail: Um carrinho em forma de lua, que anda em um trilho suspenso. Para toda a família. Na saída tem um parquinho cheio de escorregas bem legal.
  • Piraña: Barco nas corredeiras. Molha bastante, mas Clarinha adora.
  • Anton Pieck Plein: Uma praça com brinquedos antigos de parques de diversão. Bom porque são vários brinquedos bem pertinhos um do outro, dá para brincar bastante.
  • Playground Kindervreugd: Estilo pracinha, com areia.
  • Diorama: Um “museu”, mostrando uma cidade em miniatura.
  • Montanhas-russas para maiores: Joris em de Draak, Baron 1898, De Viegende Hollander, Python, Vogel Rok, Symbolica (ainda não havia inaugurado quando fomos).
  • Fata Morgana: O único que Clarinha não gostou, porque ficou com medo. É um barco calmo, mas as figuras são meio assustadoras mesmo. Aurora nem tomou conhecimento do que se passava e ficou de boa.
  • Gondoletta: Um barquinho que passeia pelo lago. Não quisemos ir por causa do frio.

 

 

Vale mencionar que em vários desses Aurora (1 ano) pôde ir também, e olhava tudo maravilhada, apontando e dando gritinhos.

Existem vários bonecos-lixeira, chamados Holle Bolle Gys, espalhados pelo parque, que ficam falando, pedindo para jogarem lixo na boca deles (vi isso também no parque do Asterix, em Paris). Clarinha achou isso a coisa mais divertida do mundo. Ficava guardando lixo para alimentar os bonecos. Achei uma idéia inteligente para manter o parque limpo.

 

Outra coisa que tem espalhada são umas estátuas de galinhas ou patos dentro de um vidro. Você coloca uma moeda e eles colocam um ovo de plástico, com um brinquedo dentro.

Lá não tínhamos cozinha, então dávamos almoço cedo para as meninas nos restaurantes do parque e levávamos lanchinhos para elas (castanhas, biscoitos, frutas). Há muitas opções de restaurantes, com vários tipos de comida, tanto sanduíches quanto comida de verdade, ao contrário dos restaurantes junk da Disney. No mapa do app é possível checar o tipo de comida de cada restaurante.

Uma paixão particular minha é o stroopwafel. O stroopwafel é um típico biscoito caramelado holandês, que vende em qualquer mercado, mas o industrializado. São poucos os lugares em que é possível comer um stroopwafel fresco, quente, feito na hora. E o Efteling é um desses lugares. Só isso já tornaria o Efteling um paraíso para mim. Comi diariamente. E deixou saudades.

 

 

No último dia, fizemos o check-out às 10:00, colocamos tudo no carro e fomos para o parque. Ficamos até umas 15:00, e de lá fomos direto para Brugge.

 

 

 

Holanda

O vôo

Para ir do Brasil para a Holanda, escolhemos um vôo Rio-Amsterdam da KLM, exatamente como queríamos: direto e noturno (veja aqui sobre escolha de vôos). A KLM é parceira da Air France (acho que são, na verdade, subdivisões de uma mesma empresa ou algo do gênero), e assim é possível fazer uma perna em cada companhia. Ou seja, vôo direto de ida para Amsterdam, pela KLM, e vôo direto de volta de Paris, pela Air France. Ô, benção!

No check-in, solicitamos o bercinho para a Aurora e felizmente estava disponível. Assim, além do bercinho ainda conseguíamos aquela primeira fila, com mais espaço para as pernas.

Levamos nosso carrinho-trambolhão Baby Jogger City Select duplo e o canguru Ergo Baby, nosso parceiro indispensável. Etiquetamos o carrinho no check-in e usamos o tempo todo até o embarque, e entregamos na porta do avião. Como nosso carrinho é grande, nós levamos a mala própria dele, desmontamos e guardamos antes de entregar, para garantir a integridade física dele. Com carrinho guarda-chuva, a gente costuma só fechar e colocar em uma saco-capa para carrinho (já aconteceu de chover e o carrinho vir todo molhado – além de sujo).

A passagem pela segurança e pela Polícia Federal para checagem de passaporte foi super-rápida. Levamos comida para as meninas em potes térmicos, suco em caixinha, frutas, biscoito, além de sanduíche para nós (para não ficarmos reféns do jantar do avião) e eles não implicaram com nada.

O avião da KLM foi uma grata surpresa. O boeing 787-9 faz parte de um linha chamada Dreamliner, que conta com diversas inovações para melhorar a sensação de bem-estar dos passageiros e diminuir o jet-lag, como diminuição de ruídos, redução de efeitos de turbulências, melhor pressão da cabine, poltronas que reclinam 40% a mais, design mais moderno, etc. Realmente fez diferença!

Logo que embarcamos, demos o jantar das meninas, escovamos os dentes, colocamos pijamas (sempre acho que isso ajuda elas a entenderem que é hora de dormir). Depois embalei Aurora. E – sorte – Aurora dormiu a noite inteira no bercinho e eu e Clarinha deitamos abraçadas em duas poltronas, com a cabeça no colo do Gustavo. Isso (mais os fármacos que eu tomo pra encarar um avião) me ajudaram a dormir relativamente bem.

Ao pousarmos, a passagem pela imigração foi super-rápida. Recuperamos nossa bagagem e fomos direto para a Hertz buscar o carro que alugamos (sempre alugamos do Brasil, pelo telefone e com desconto do Itaú Personnalité).

Optamos por alugar uma casa fora de Amsterdam e alugarmos um carro, para podermos visitar outras cidades da Holanda. A escolha da cidade foi um pouco aleatória. Olhamos no mapa do AirBnb cidades que fossem próximas a Amsterdam e as cidades que gostaríamos de visitar. Tudo bem que a Holanda é mínima e é tudo meio perto. Como diz meu pai, tem que ter cuidado pra dirigir lá, porque se acelerar muito sai da Holanda. E assim, demos a sorte de ir parar em Vinkeveen! Nosso roteiro na Holanda foi de 7 noites , 4 em Vinkeveen e 3 no Efteling (veja post específico aqui).

Aqui quero dedicar um parágrafo ao frio da Holanda. Quase todas as vezes em que fomos, era final de março, e era bem frio. Dessa vez, fomos no final de março e esperávamos uma temperatura um pouco mais amena. Seria primavera e tal. Não lavamos roupas tão pesadas, levamos poucos casacos e meia-calças paradas meninas, e não levamos luvas e nem cachecol para ninguém. Nossa idéia era que, caso fosse necessário, compraríamos tudo lá. E quebramos a cara. Fazia mens de 10 graus de dia. O frio entrava nos ossos. Fomos correndo comprar roupas de frio e – surpresa!! Não tinha em nenhum lugar! Já era a coleção de primavera. Vestidos floridos, sandálias. Um frescor só. Resultado: passamos (muito) frio. Só fomos conseguir comprar algumas coisinhas em Brugges, na Bélgica, porque uma alma caridosa funcionária da H&M catou algumas coisinhas no estoque.

Vinkeveen

Ou seja, amigos, moral da história: JAMAIS subestime os países baixos em matéria de frio. Dias claros, lindos, ensolarados e primaveris também podem ser congelantes.

 

Vinkeveen

Vinkeveen foi outra grata surpresa. Um cidade bem pequena, há cerca de 30 minutos de carro de Amsterdam. Quando eu olhava Vinkeveen no Google Maps, achava super estranho. Não era simplesmente uma cidade cheia de canais, como várias cidades holandesas. Era uma infinidade de canais meticulosamente paralelos. Parecia uma pintura. E realmente toda a cidade parece uma pintura. Um encanto! Não chegamos a passear muito pela cidade em si, entrar nas igrejas e tal. Foi mais nosso quartel-general mesmo.

Mas tratamos logo de fazer um reconhecimento dos supermercados holandeses e era lá que fazíamos todas as nossas compras.

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Amsterdam

Nós já havíamos ido algumas vezes à Amsterdam, sendo uma com a Clarinha, por isso nos contentamos em passar apenas um dia. Mas, para quem nunca foi, vale à pena programar uma viagem que dure alguns dias. A cidade é belíssima e com muitos atrativos.

Dessa vez, nós queríamos basicamente ir ao Museu Van Gogh. Fomos de carro e não tivemos qualquer problema pra estacionar em uma ruazinha um pouco mais afastada, a 10 minutos a pé do museu. Deixamos pago o parquímetro, e deu cerca de 15 euros por 5h.

Seguimos algumas dicas do Daniel Duclos, um blogueiro que mora na Holanda e tem um blog excelente, cheio de dicas valiosas, chamado Ducs Amsterdam. Compramos os ingressos pelo site Get Your Guide, já com hora marcada para a visita. Compramos junto também o ingresso para o Keukenhoff, o parque das tulipas. Em ambos os casos, apresentamos apenas o e-ticket no celular (no My Wallet do iPhone) e entramos sem problemas e sem filas.

O museu é lindo, mas lotado. Tem que ir com paciência. Tem um café ótimo, onde vale a pena almoçar, lanchar ou tomar um chá.

De lá, passeamos pela Museumplein (a praça dos museus) e depois fomos para a Apple. Eu estava precisando comprar um computador e como na Holanda tem Tax Free, o preço acabava compensando. Saiu quase o mesmo preço de comprar nos EUA.

Tomamos um café no Blender (Ruysdaelstraat 11), um café-conceito bem legal, com área para as crianças brincarem e lojinha. Foi indicado pelo Ducs Amsterdam também. A dona era bem antipática e ficou meio irritada de chegarmos perto da hora de fechar, mas o lugar é ótimo.

 

Utrecht

Uma cidade linda, que vale muito a pena visitar é Utrecht. Eu já tinha lido em vários sites e blogs que era uma dessas cidades que você fica pensando “Nossa, como é que a gente não ouve falar de um lugar lindo assim??”. E realmente é isso: Como??! Utrecht é bem o estilo cidade holandesa medieval: canais, arquitetura linda…

Fomos de carro e estacionamos fora do centro, na Tolsteegsingel. É só atravessar uma ponte para o centro, e o estacionamento é bem mais barato (pagamos cerca de 16 euros por 5 horas).

Para as crianças, o ponto (mega hiper ultra) alto é o Museu Miffy (Nijntje Museum, em holandês). Miffy é aquele coelhinho fofo que a gente vê em vários lugares mas não sabe a origem (eu, pelo menos). O criador é de Utrecht, e a cidade faz diversas homenagens a ele. O museu não é cheio, não é caro, e é super interativo. As crianças brincam muito. Até Aurora amou. E é muito fofo! A lojinha, que fica em um prédio em frente, tem várias coisas fofas e com preço razoável.

Saindo do museu, fomos para uma famosa queijaria, a Kazerij Stalenhoef (Twijnstraat 67), uma das melhores queijarias do mundo. Lá eles embalam o queijo à vácuo para levar na mala para o Brasil, se você pedir! Em frente, tem uma boulangerie belga com comidinhas deliciosas chamada Vlaamsch Broodhuys (Twijnstraat 34). Vale muito à pena para um café da manhã, chá da tarde ou mesmo para almoço, como nós fizemos.

 

Zaanse-Schans

Zaanse-Schans foi outra dica super-legal do Ducs Amsterdam. Vale a pena ler esse post no site dele, já que ele foi com mais tempo (e mais calor) do que eu. Ele chama de “a Holanda dos moinhos”, e diz que é a cidade holandesa que mais se parece com uma cidade holandesa. E acredito que seja mesmo! O lugar parece saído de um cartão-postal ou um cenário de filme. Lindo, lindo! É um lugar meio que organizado como uma representação do passado. É um museu a céu aberto.

Fomos de carro e o GPS leva direto a um estacionamento a direita. Pode entrar e estacionar sem medo, é lá mesmo! Se passar, você vai entrar na cidade de Zaandam e não é mais lá. Nesse estacionamento tem um museu enorme, que não visitamos

Sendo a “cidade dos moinhos”, eles roubam toda a paisagem. Tem vários moinhos abertos a visitação. Nas casinhas, existem diversas lojas interessantes, queijarias, e até demonstração de como é feito o queijo, com degustação. E tem vários bichinhos por lá, como ovelhas e galinhas. As meninas adoraram! Parece que tem também um passeio de barco que deve ser bem legal, mas quando fomos estava frio demais e nem cogitamos.

 

 

Keukenhoff

Ah, Keukenhoff, o famoso parque das tulipas!! Em todos as vezes em que fomos a Amsterdam, pensamos em visitar o parque, mas ele tem um período de abertura super curto, na primavera, que é o período das tulipas. Não adianta querer visitar fora desse período, porque simplesmente não tem tulipas, e o parque não abre. Esse período varia a cada ano, mas, no geral, vai da segunda quinzena de março a segunda quinzena de maio. Dois meses ao ano só.

Nós compramos o ingresso pelo Get your Guide. Foi super-tranquilo e funcionou direitinho. Apresentamos o ingresso no celular mesmo. Não pegamos fila alguma na hora. Lá, a bilheteria funciona de 08:00 as 18:00, e o parque funciona de 08:00 as 19:30. Vale baixar um app do Keunkenhoff antes, com mapa e informações. Eu não sabia, não baixei.

Por acaso, o dia em que nos programamos para visitar o parque era o dia da Festa das Flores. Vimos isso na internet, e preferíamos ir em outro dia, pois imaginamos que o parque estaria muito cheio. Mas esse dia encaixava melhor nos nossos planos e achamos que talvez fosse um ganho extra, assistir ao festival (fosse o que fosse, não fazíamos idéia). Mas terminou sendo a roubada do século.

Todas as ruas em torno estavam fechadas e não podíamos chegar ao estacionamento. Nós havíamos colocado o endereço no Waze (o aplicativo que sempre usamos, no Brasil e fora, para achar a melhor rota), e ele já mostrava todas as ruas fechadas. Ele traçou um caminho bem ninja, que nos deixou em uma rua residencial (praticamente na garagem de alguém), que realmente ficava perto da entrada. Maaaas… as ruas estavam realmente todas fechadas, até para pedestres. Ou seja, nos vimos em frente ao parque, mas sem ter como atravessar para entrar. Gustavo queria ir embora, mas resolvi ver um pouquinho do desfile. Já que estávamos lá, né? Olha… achei mega sem-graça. Uns carros enormes, cobertos de flores, com algumas pessoas desanimadas dentro. Mais pra cortejo fúnebre do que pra desfile. Alguns carros levavam enormes animais feitos de flores, então a Clarinha adorou. Mas eu realmente achei de um mau-gosto sem fim. Sem fim mesmo, porque levava uma eternidade entre um carro e outro, e não terminava nunca. As ruas só reabririam a noite.

Já estávamos decididos a ir embora, quando resolvemos andar até o infinito para contornar os bloqueios. E conseguimos!! Enfim, entramos no parque! E o parque é LINDO! É realmente tudo o que falam e mais um pouco. É lindo assim de você nem saber pra onde olha.

Como já estávamos cansados, as crianças exaustas (e estava friiiio!) e o parque estava bem cheio (como sempre, ao que parece), acabamos ficando bem pouquinho. Pra quem vai com tempo e disposição, certamente há muito a ser explorado. O mapa mostra diversas áreas diferentes, exposições, atrações. O parque é gigantesco. Nós demos uma voltinha, tiramos lindas fotos e fomos logo embora. Sempre é possível tirar belas fotos, em qualquer lugar do parque, estando ele vazio ou cheio.

 

E no dia seguinte, um domingo, juntamos nossas tralhas, pegamos nosso carro e partimos para a nossa temporada de 3 noites no Efteling!

Por que viajar com crianças?

Quando começamos a viajar com a Clarinha, ouvíamos todos os tipo de críticas. As pessoas sempre parecem procurar o lado negativo em tudo e ser as donas da verdade (como todo o resto que tange a maternidade…). O que mais escutamos, até hoje é: “Vocês são malucos em viajar com duas crianças pequenas!”.

Percebemos que os comentários mais comuns são extremamente frágeis e rebatidos facilmente se resolvermos pensar por 2 minutos.

  1. Criança pequena não aproveita nada e não lembra de nada, é a mesma coisa que ir à pracinha. Mais ou menos, né? O conceito de “aproveitar” é muito amplo. É claro que ela não vai explorar e conhecer como um adulto. Toda a percepção de mundo dela é diferente. Mas são vários os pontos interessantes. Ela sente a mudança de ambiente, de língua, de clima. Visitar lugares diferentes do habitual dela sem dúvida faz parte da variação de estímulos que ela recebe para o aprendizado, e enriquece. Quanto à lembrar, elas guardam algumas memórias desde muito cedo, e isso também enriquece. E, o mais importante: NÓS lembramos. Pra mim, levar minhas crianças em viagens, estar com elas nesses lugares, passar por essas experiências e momentos com ela me dá um prazer imenso e faz parte da MINHA vivência e da MINHA memória. Outra coisa que ninguém pensa é que muitas vezes é raro uma criança passar 24 horas com pai e mãe por tanto tempo. Em geral ela fica com avós, babá, creche, com um dois pais só com alguma frequência no dia a dia. Para elas, só passar 20 dias 24 horas por dia com pai E mãe já faz a viagem valer à pena. Elas adoram e é uma experiência deliciosa.
  2. Criança pequena atrapalha a viagem. Bom, aí é novamente uma questão de conceito, né? É evidente que a viagem com crianças é completamente diferente da viagem entre adultos. Não dá pra achar que você vi ter um jantar romântico com seu marido em um restaurante chique de Paris, ou passar um dia relaxando em uma espreguiçadeira na praia e nem passar horas visitando calmamente um museu. Dá uma trabalheira danada, nossa atenção é voltada para elas, os horários e programas são diferentes. O ritmo é outro. Não há a mesma liberdade. Assim como toda a nossa vida muda depois de termos filhos. Mas entre essa “liberdade” e viajar com minhas filhas, prefiro mil vezes viajar com elas. Daqui a alguns anos elas estarão grandes e faremos viagens mais “adultas”, e daqui a mais uns anos elas nem vão mais querer viajar comigo e eu volto a fazer viagem de casal. E eu consigo ter bastante momentos românticos sem ir pra léguas de distância delas.
  3. Determinado lugar não é lugar de criança. No mínimo, sem sentido, né? Em qualquer cidade do mundo as pessoas moram e tem filhos. Ou seja, as crianças (e os bebês) vivem nesses lugares! Então, a menos que você vá escalar o Everest ou algo do gênero, o destino certamente comporta crianças. É claro que alguns darão mais trabalho que outros, ou poderão até ser menos seguros. Eu, por exemplo, fiz questão de ir para as ilhas gregas antes de engravidar, porque achei que seria uma viagem muito trabalhosa com crianças. Algum destinos também apresentam maiores “riscos”, como algumas doenças endêmicas, piores condições de saneamento ou risco de conflitos ou fenômenos naturais. Vale o bom senso. Mas dizer que Paris, por exemplo, não é um destino pra crianças é no mínimo desconhecimento. Poucas cidades no mundo são tão divertidas e adequadas e estimulantes para uma criança.

Outra coisa que noto é que muita gente acha que viajar apenas o casal com um/dois/três filhos é inviável, porque dá muito trabalho. Os pais acham que “não darão conta”. Como assim, gente? Os pais não darão conta dos filhos?

É claro que dá trabalho, criança dá uma trabalheira do cara#@*. Ficar 24 horas por dia por vários dias é cansativo e desgastante. É intenso. E justamente por isso é delicioso. Mas essa idéia de “não dar conta” me é muito estranha. Como é “não dar conta”? No que consiste isso? A criança se perde? Fica sem banho? Com fome? Largada? Ou os pais é que não estão dispostos a ter esse trabalho? A abrir mão de uma viagem totalmente voltada para si?

Reparo muito nas viagens como os brasileiros tendem a viajar em grupos familiares maiores. Sempre tem agregados: mãe, avó, tia, cunhada, babá. As vezes, com uma única criança, mas sempre com “ajuda”. E não é simplesmente pela companhia, pois casais adultos viajam sozinhos com frequência. Entre os europeus, vemos o contrário: famílias numerosas, de casais com 3, 4, 5 filhos. Sem “ajuda”. Ou seja, acho que tem um fator cultural forte, de os brasileiros terem esta tendência a achar que não dão conta dos próprios filhos.

Assim, ao pensar em viajar com crianças, vale a pena repensar nos mitos, e tentar abrir a cabeça, criar coragem e ampliar os horizontes!

Orlando com duas pequenas – 2017

Após tudo cuidadosamente preparado, viajamos!

O vôo foi cansativo como sempre, nada especial. Levamos janta para a Clarinha no pote térmico. Ela dormiu logo depois do jantar. Pegamos uma fileira de três poltronas, eu e Clarinha deitamos no colo do Gustavo, abraçadas, e Aurora dormiu no Ergo Baby, com ele. Dormir no Ergo é ótimo, porque ela dorme super bem e a gente também, porque não fica com medo dela cair do colo. Também é mais seguro em uma turbulência. Chegamos a perguntar pelo bercinho no check-in, mas já estavam reservados. De qualquer forma, a vez em que consegui o bercinho não tive coragem de deixar a Clarinha nele. Mas valeu a pena porque você acaba pegando a primeira fileira, que tem mais espaço. Levamos biscoito e suco pra Clarinha tomar de café-da-manhã.

Chegando em Atlanta, bastante espera para a imigração, cerca de 40 minutos. Bem difícil segurar uma criança cansada em uma fila por tanto tempo. Pegamos nossa mala e despachamos de novo alguns metros a frente. Depois, pegamos um trem interno e mudamos de terminal, e logo embarcamos para Orlando.

Chegando em Orlando, pegamos nosso carro na Hertz. Alugamos duas cadeirinhas, e nos certificamos de que poderíamos devolvê-las no dia seguinte em qualquer Hertz. Em Orlando, por lei, crianças até 1 ano devem andar viradas para trás (infant seat), crianças até 4 anos devem andar em car seats, e crianças entre 4 e 5 anos devem andar em booster. Do aeroporto, fomos para a casa da minha amiga que mora lá para buscar as nossas compras do Amazon, inclusive as cadeirinhas.

Uma observação: calor, calor, calor. A noite a temperatura era boa, ou quando estava nublado. Mas o sol parecia um maçarico. Muito calor mesmo. E era ruim colocar roupa muito fresca nas meninas, porque quando entrava nos brinquedos o ar condicionado era forte. Muita água!

Alugar uma casa foi disparado a nossa melhor opção. Assim que chegamos, fomos a um supermercado Publix e fizemos uma grande compra, estilo compra do mês. Compramos produtos de limpeza, produtos de higiene, comida… Eu tenho salvo no celular uma listinha padrão, com o basicão e mais alguns itens que acho necessários e que às vezes esqueço de comprar.

Assim, pudemos dar comida de verdade pra Clarinha todos os dias. Cozinhávamos alguns dias, como em casa, e deixávamos na geladeira ou no congelador. De manhã esquentávamos um prato normal de refeição dela e colocávamos em um potinho térmico da Thermos. Levar comida tem várias vantagens. Primeiro que a criança se alimenta direito, depois que facilita a logística de horários, já que crianças costumam almoçar mais cedo, e ainda é uma economia. Para nós, também levávamos sanduíches e lanchinhos para todos, como castanhas, passinhas… Nem tanto pela economia (apesar de os preços nos parques serem exorbitantes), mas porque é realmente difícil encontrar comida que valha a pena. No máximo pizza, hambúrguer e frango frito. Outra vantagem também é fugir das filas dos restaurantes nos parques cheios. Assim, praticamente não compramos comida ou lanche nos parques.

Nos parques da Universal e Busch Gardens/Sea World, é possível comprar um copo grande que custa cerca de U$ 14 e o refil é grátis o dia inteiro, de água, limonada ou refrigerante. Nos parques em que fomos mais de uma vez, nós levamos o copo novamente e conseguimos encher, sem que ninguém questionasse nada. Essa opção não existe nos parques da Disney, então levávamos duas garrafas térmicas Thermos grandes e uma pra Clarinha, com água e gelo. A garrafinha da Clarinha os funcionários do restaurante enchiam quando pedíamos (não chegamos a pedir para encher as nossas). O mesmo fizemos com o balde de pipoca que compramos na Universal, levamos nos outros dias e pagamos só a taxa do refil (cerca de U$ 1,50).

Um serviço da Disney que eu não conhecia é o PhotoPass. É um serviço que você pode adquirir pelo My Disney Experience. Eu achava que era uma grande besteira, muito dinheiro por fotos bobas que eu mesma posso tirar, maaas… Isso até eu ver as fotos. Os fotógrafos ficam espalhados pelos parques. Eles se oferecem para fotografar ou você pode catar um e pedir (no mapa do app mostra onde eles estão). Eles também ficam nos encontros e refeições com os personagens. Quando eles tiram a foto, eles pedem o seu ingresso ou Magic Band e já lindam as fotos automaticamente. No final do dia, aparecem todas na sua conta My Disney Experience. As fotos têm uma qualidade surreal. Mas eles colocam marca d’água por cima, de forma que você não possa imprimir. Eu vi as do primeiro dia e fiquei babando, vi as do segundo… No terceiro dia comprei um pacote de fotos. A questão é que, comprando com antecedência, teria saído bem mais barato. E eu teria aproveitado e tirado mais fotos com os fotógrafos do parque. Eles fazem também uns videozinhos, umas montagens. Fica fofo e as crianças amam. Das próximas vezes, comprarei com antecedência sempre. Ah, e aquelas fotos nos brinquedos, tipo todo mundo gritando na montanha-russa, também entram! É só passar no quiosque assim que sair do brinquedo e pedir para o funcionário registrar a foto no seu cartão/Magic Band. Mas, quem resolver não comprar o PhotoPass, não se preocupe. Os fotógrafos não só não ligam de você tirar foto com a sua câmera/celular, como ainda se oferecem pra tirar.

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Para quem está hospedado em um dos resorts da Disney, o estacionamento nos parques da Disney é gratuito. Para quem não está, o estacionamento custa em torno de U$ 20. Existe a opção de “preferred parking”, que custa U$ 35. No estacionamento comum, depois de estacionar o carro, você deve andar até um ponto para pegar um ônibus/trem interno, que levará até a porta do parque. No Magic Kingdom, esse trem leva até uma entrada, de onde ainda é necessário pegar uma barca ou um trem expresso. Optamos por pagar o preferred parking, pois estávamos com um carrinho grande, duas crianças e muita tralha. No primeiro trem, o espaço é pequeno e é necessário tirar as crianças/tralhas e dobrar o carrinho. Sem contar que, na saída, com todos cansados, é mais uma fila pra fazer, tempo pra esperar… Já na balsa e no trem expresso é possível entrar com o carrinho e tudo. Nesse preferred parking você ainda ganha garrafinhas de água gelada quando chega.

No Universal Studios/Island of Adventure (mesmo estacionamento), não há outros transportes. O estacionamento é coberto (o que é uma benção) e depois de estacionar você anda (anda, anda, anda e anda) até a entrada. No preferred parking, você anda bem menos. E há ainda a opção de valet, que custa U$ 36 e você simplesmente larga o seu carro no térreo, sobe um elevador e já está quase na entrada. Pro nosso contexto, valeu muito à pena.

No Bush Gardens também usamos essa opção de valet e também valeu muito à pena. Só porque minimizou a andança no sol. Lá, dependendo de onde se estaciona, também precisa pegar um trem até a entrada do parque.

JAMAIS esqueça de anotar onde está o carro. Tire foto da placa, que em geral possui um nome/personagem e um número. Os estacionamentos são gigantescos e lotados e esquecer onde estacionou dá uma dor de cabeça imensa.

Orlando com duas pequenas: Preparando a viagem

Resolvemos viajar para a Disney pouco depois de Aurora nascer. Ela estaria com 5 meses na viagem. Um casal de amigos queridos, vizinhos, iam com os filhos da mesma idade, e nos animamos. Convidamos alguns parentes do Gustavo pra divider casa e eles toparam.

Compramos as passagens pela Delta Airlines, por ser o melhor custo x benefício. Pesamos horário do vôo, escalas e tarifas. Quase compramos um vôo direto pra Miami e alugamos de um carro lá, pra ir direto de carro pra Orlando e assim poupar uma viagem de avião. Não parece, mas uma conexão com duas crianças pode ser uma dor-de-cabeça, como já citei no post sobre escolha do vôo. Acabamos concordando em um vôo noturno Rio de Janeiro – Atlanta – Orlando, com volta Orlando – Atlanta – Rio de Janeiro. Conexões rápidas e aparentemente factíveis. Clarinha pagou 75% do valor da nossa tarifa (3 anos e 10 meses) e Aurora pagou 10% do valor (5 meses e meio na ida da viagem). Conseguimos comprar tudo pelo site da Delta sem dificuldade. Aurora ainda não tinha passaporte, então colocamos o número do CPF como documento. Os voos da Delta costumam fazer escala em Atlanta, tanto na ida quanto na volta. Voando de Delta, deve-se reservar tempo. Sempre é necessário realizar imigração lá (primeira destino nos EUA), recuperar as bagagens, despachar novamente (isso é rápido) e ir para um outro terminal longe, de trem interno. Assim, conte com isso tanto em questão de tempo quanto em logística. Na volta, as bagagens costumam ir direto e não é necessário passar pela imigração, então a conexão costuma ser mais rápida.

A seguir, demos entrada no passaporte da Aurora. O da Clarinha ainda era válido. Preenchemos o formulário no site, pagamos a GRU, agendamos, e comparecemos, família completa, na data agendada. Levamos foto dela 5×7 e a autorização preenchida. Foi super rápido. Depois fomos todos para buscar (é necessário para a retirada apenas um dos responsáveis COM A CRIANÇA).

Depois demos entrada no formulário para o visto americano. Como nós dois possuíamos vistos válidos, foi super fácil. Preenchemos o formulário, pagamos a taxa direto no site com o cartão de crédito e agendamos. No dia, comparecemos todos ao consulado, no Humaitá, no horário agendado. Eles pedem para que as pessoas NÃO CHEGUEM com antecedência. Levamos o comprovante de agendamento e a mesma foto 5×7 do passaporte, que eles usaram (tiram foto da foto) e devolveram. Selecionamos, no preenchimento no site, a opção de entrega domiciliar, e o passaporte com o visto chegou em nossa casa em umas duas semanas.

Fizemos o seguro-viagem do World Nomads (optamos pela maior cobertura porque a diferença era a minima em relação ao plano básico). Saiu cerca de R$ 1.000 para a família, com uma cobertura excelente.

Fizemos também um plano de celular da Travel Mobile. Optamos pelo de U$ 60, que incluía uma boa franquia de internet e ainda ligações para o Brasil.

Alugamos a casa em um site onde já havíamos alugado antes, o “Casas na Disney“. Tem diversas opções, bons preços e são super confiáveis.

Alugamos o carro na Hertz. Alugamos pelo telefone, com o Itaú Personnalité, pois clientes ganham 15% de desconto e um tanque cheio. Optamos por um carro grande, porque a diferença de preço não é a grande e precisávamos de espaço para 2 cadeirinhas, compras, malas… Não alugamos GPS porque teríamos um chip de celular com internet, para usar Waze e Google Maps (lembrando que e os parques possuem wi-fi livre). Pretendíamos alugar cadeirinhas, mas o aluguel saía o triplo do preço de comprar uma no Amazon. Comprarmos duas cadeirinhas e mandamos entregar lá. Compramos também o carrinho, um Baby Jogger City Select duplo, e optamos por arriscar fazer a viagem de ida sem carrinho, só com o Ergo Baby.

Os ingressos para os parques preferimos comprar no Decolar, pela possibilidade de parcelamentos. Optamos pelo hooper de 14 dias para os parques da Universal, por ter o melhor custo x benefício e por se tratar dos parques que mais amamos. Pretendíamos ir varias vezes ao Universal Studios e ao Island of Aventures e uma vez ao Wet’n’Wld. Com esse ticket, podemos visitar os parques de forma ilimitada neste period (14 dias).

Para os parques da Disney, compramos uma promoção de 4 dias de parque, ganhando mais 2 dias. Nossa intenção era ir 2 dias ao Magic Kingdom, uma ao Epcot, uma ao Hollywood Studios e um parquet aquatic deles (Blizzard Beach ou Typhoon Lagoon). Depois pensaríamos o que faríamos com o outro dia (Lá descobrimos que esse passe não valia para os parques aquáticos…).

Compramos ainda um passe para os parques do Busch Gardens e Sea World. O que valia mais á pena era um passe de 3 dias, e pretendíamos ir ao Busch Gardens, Sea World e Aquatica.

A seguir, começamos a tentar agendar as refeições com personagens e os Fast Passes. Foi complicado, pois as refeições abrem 6 meses antes e os Fast Passes abrem 30 dias antes (60 dias se você for ficar em um resort da Disney). Fizemos tudo pelo app para celular “My Disney Experience“, mas é possível fazer pelo site também.

Por fim, conseguimos agendar uma almoço no Crystal Palace, um breakfast no Chef Mickey e um almoço no Epcot. Achei que estava de bom tamanho, pois essas refeições são caras.

Fizemos um esboço de roteiro, qual parque iríamos em cada dia, para podermos marcar os Fast Pass. Nos parques da Disney, ao comprar o ingresso você entra no app e registra o número do seu ingresso. Aí você pode agendar 3 Fast Passes para cada pessoa, por dia, a partir de 30 dias antes (ou 60 dias, para quem fica nos resorts da Disney). Obviamente os brinquedos mais disputados esgotam rápido, então vale à pena tentar marcar o quanto antes. Você pode fazer alteração a hora que quiser e quantas vezes quiser, desde que haja disponibilidade. Esse serviço de Fast Pass é gratuito. Já o equivalente ao Fast Pass para os demais parques é pago (cerca de U$ 50-90, por pessoa, dependendo do número de dias).

A verdade é que nenhum blog é mais completo no que concerne a Disney do que o blog “Colagem” da Luciana Misura. Esse blog é tipo um guia espiritual no que diz respeito à Disney. Ela fala detalhadamente dos parques e de cada refeição com personagens (incluindo S possibilidade e o custo X benefício de se utilizar o Dinning Plan). E, para melhorar, ela ainda é agente autorizada Disney e ajuda a planejar roteiros e realizar reservas. Nem conheço a Luciana e não ganho nada com a indicação. Mas acho os posts de Orlando do blog dela simplesmente sensacionais.

Outra coisa que fizemos com antecedência foi imprimir os cupons dos outlets (Orlando Premium e Orlando Vineland), assim como o vale para o livrinho de cupons que você pode retirar lá. Para otimizar, imprimimos ainda os mapas e já fomos identificando onde pretendíamos ir. Isso ajuda muito porque os outlet são gigantescos e sempre perdemos muito tempo procurando as lojas. Farei depois outro post só com dicas de compras e descontos nos EUA, tanto em outlet quanto pela internet.

Escolhendo o vôo

A escolha do vôo deve ser pensada cuidadosamente. Com crianças, não dá pra simplesmente procurar a tarifa mais barata e ir com tudo. Companhia aérea, horário, duração, escala, aeroportos, tudo deve ser levado em conta, porque, mais do que nunca, o barato pode dar uma dor-de-cabeça enorme.

A preferência pelo horário do vôo internacional, se diurno ou noturno, é muito pessoal. Quando eu não tinha filhos, sempre preferi vôos diurnos. Eu não consigo dormir nem 5 minutos no avião, então o vôo noturno me deixava exausta, e o dia da chegada era super desgastante. Além disso, como eu sempre tive uma certa fobia de avião, eu tinha a sensação de que durante o dia o piloto poderia enxergar melhor, sei lá. Maluquice, mas enfim.

Com criança, minha preferência mudou, e hoje em dia minha principal sugestão para a escolha do vôo, é pegar SEMPRE VÔO NOTURNO. Deixando claro que isso é uma opinião estritamente pessoal e baseada na MINHA experiência. Vou explicar meus motivos. Vôos internacionais são longos e crianças pequenas não se entretêm por muito tempo, principalmente bebês. Se para nós, adultos, é entediante, imagina para eles. Eles não lêem um livro, muitos não vêem um desenho inteiro e têm uma necessidade enorme de gastar energia. E, quando entediados, em geral dão defeito, né? Choram, fazem pirraça, e por aí vai. Poucas coisas são tão desesperadoras quanto ficar com um bebê acordado por 10 horas em um avião. Fiz um único vôo internacional diurno com criança na vida. Foi Londres-Rio pela British Airways (essa perna só costuma ter de dia). N-U-N-C-A M-A-I-S!! Clarinha tinha 1 ano e 3 meses e passou 10 horas andando pelos corredores e mandando beijos para as pessoas. Não fez a soneca por causa do ambiente estranho, ficou com sono e ficou mega chata. Minha vontade era abrir a porta do avião e pular. Depois disso, não faço vôo diurno com criança nem de graça. Sério. Mas essa sou eu. Talvez pra quem tem um bebê-anjo funcione bem. Talvez com Aurora a experiência tivesse sido diferente. Enfim. Em contrapartida, ao contrário da maioria dos adultos, crianças, principalmente bebês, costumam dormir super bem em vôos noturnos. A pediatra das meninas me avisou isso antes da primeira viagem e eu não acreditei muito, porque Clarinha dormia muito mal em casa, demorava a pegar no sono, acordava muito… Mas é batata! Em todos os vôos que fizemos ela dormiu muito bem e rápido e quando ainda viajava no colo, só acordava já no taxi saindo do aeroporto! Óbvio que eu não durmo e fico um bagaço, maaaaas… ainda prefiro isso ao desespero da criança “encarcerada” por 10 horas. Imagino que com o tempo e com as meninas maiores, com 6, 8 anos, o entretenimento fique mais fácil e talvez eu volte a preferir vôo diurno.

Engraçado que outro dia estava visitando um blog que eu adoro (e ainda vou citar muito!), o Colagem, da Luciana Misura, e ela fazia um comparativo muito legal das vantagens e desvantagens de vôos noturnos e diurnos, e dizia que preferia vôo diurno. E nada do que ela cita como contra em um vôo noturno me incomoda realmente, e as vantagens que ela vê em um vôo diurno estão longe de me encher os olhos. Ou seja, é uma escolha extremamente pessoal, baseada na opinião, hábitos – e crianças! – de cada um.

Outro cuidado importante é atentar aos horários e dar preferência a vôos com horários mais “fisiológicos”. Por exemplo, pra criança que dorme cedo, vôo às 23:00 pode ser um tiro no pé. A entrada no saguão de embarque vai acabar sendo umas 21:00, e corre o risco de a criança já estar dormindo. E, por mais que isso possa parecer bom, não é. Um péssimo momento para a criança estar dormindo é na hora de passar pela Polícia Federal (aqui ou fora), porque o carrinho precisa passar no raio-x e a criança deve passar andando no detector de metais ou, em caso de bebês de colo, a pessoa que está segurando deve afastar o bebê do corpo. Outro momento ruim de estar dormindo é na decolagem/aterrisagem. Os bebês no colo devem estar com cinto de segurança no colo (as comissárias fornecem um cinto adaptado que prende no nosso cinto – mas várias vezes já não deram) e as crianças maiores devem estar sentadas com cinto e a poltrona toda sentada, coisas difíceis de fazer com a criança dormindo. E ainda tem a questão do ouvido. Falarei em outro momento sobre as dicas para tornar o embarque e o vôo mais fáceis e confortáveis e sobre o uso de bebê conforto/cadeira de carro para bebês e crianças.

Outro cuidado na escolha do vôo é em relação às escalas e conexões. Nem preciso dizer o transtorno que é desembarcar com criança e mala de mão, esperar carrinho, eventualmente pegar mala e realizar novo check-in ou ficar intermináveis hoooooooras com crianças exaustas e entediadas (e muitas vezes sujas e famintas) em aeroportos. Para isso o conselho é simples: evite. Prefira vôos diretos, mesmo pagando mais, a menos que seja uma diferença de preço proibitiva ou uma escala muito tranquila. Se for fazer conexão, preste atenção em tudo: horário da conexão (meio da madrugada?), duração, local (alguns países podem demandar vacinas ou vistos). Se for conexão em um país diferente do embarque (por exemplo, vôo do Rio para Orlando com conexão em Miami, ou vôo do Rio para Berlim com conexão em Paris), necessariamente será preciso fazer os trâmites de imigração e pegar as malas no país da escala, pois isso é feito sempre assim que se entra em um país. Reserve tempo para isso. E conte que o vôo seguinte pode ser em um terminal super longe, onde seja preciso pegar ônibus ou trem interno, algo super comum na Europa. Ou seja, atente para tempo demais e tempo de menos entre os vôos. Mesmo em conexões no próprio país pode ser necessário recuperar a mala e realizar novo check-in.

Avalie também os aeroportos. Muitas vezes um vôo é mais barato porque chega em um aeroporto muito afastado ou até fora da cidade. Pode ser que valha à pena, mas depende de muitas variáveis. A que horas o vôo chega? Vocês ficariam no meio do nada altas horas da noite? Tem transporte para a cidade? A diferença de preço do transporte compensa a economia na passagem? Vai alugar carro?

Enfim, com crianças mais do que nunca vale à pena analisar cada pequeno detalhe do seu vôo, pra minimizar o stress e o desgaste de todos da família.