Escolhendo o vôo

A escolha do vôo deve ser pensada cuidadosamente. Com crianças, não dá pra simplesmente procurar a tarifa mais barata e ir com tudo. Companhia aérea, horário, duração, escala, aeroportos, tudo deve ser levado em conta, porque, mais do que nunca, o barato pode dar uma dor-de-cabeça enorme.

A preferência pelo horário do vôo internacional, se diurno ou noturno, é muito pessoal. Quando eu não tinha filhos, sempre preferi vôos diurnos. Eu não consigo dormir nem 5 minutos no avião, então o vôo noturno me deixava exausta, e o dia da chegada era super desgastante. Além disso, como eu sempre tive uma certa fobia de avião, eu tinha a sensação de que durante o dia o piloto poderia enxergar melhor, sei lá. Maluquice, mas enfim.

Com criança, minha preferência mudou, e hoje em dia minha principal sugestão para a escolha do vôo, é pegar SEMPRE VÔO NOTURNO. Deixando claro que isso é uma opinião estritamente pessoal e baseada na MINHA experiência. Vou explicar meus motivos. Vôos internacionais são longos e crianças pequenas não se entretêm por muito tempo, principalmente bebês. Se para nós, adultos, é entediante, imagina para eles. Eles não lêem um livro, muitos não vêem um desenho inteiro e têm uma necessidade enorme de gastar energia. E, quando entediados, em geral dão defeito, né? Choram, fazem pirraça, e por aí vai. Poucas coisas são tão desesperadoras quanto ficar com um bebê acordado por 10 horas em um avião. Fiz um único vôo internacional diurno com criança na vida. Foi Londres-Rio pela British Airways (essa perna só costuma ter de dia). N-U-N-C-A M-A-I-S!! Clarinha tinha 1 ano e 3 meses e passou 10 horas andando pelos corredores e mandando beijos para as pessoas. Não fez a soneca por causa do ambiente estranho, ficou com sono e ficou mega chata. Minha vontade era abrir a porta do avião e pular. Depois disso, não faço vôo diurno com criança nem de graça. Sério. Mas essa sou eu. Talvez pra quem tem um bebê-anjo funcione bem. Talvez com Aurora a experiência tivesse sido diferente. Enfim. Em contrapartida, ao contrário da maioria dos adultos, crianças, principalmente bebês, costumam dormir super bem em vôos noturnos. A pediatra das meninas me avisou isso antes da primeira viagem e eu não acreditei muito, porque Clarinha dormia muito mal em casa, demorava a pegar no sono, acordava muito… Mas é batata! Em todos os vôos que fizemos ela dormiu muito bem e rápido e quando ainda viajava no colo, só acordava já no taxi saindo do aeroporto! Óbvio que eu não durmo e fico um bagaço, maaaaas… ainda prefiro isso ao desespero da criança “encarcerada” por 10 horas. Imagino que com o tempo e com as meninas maiores, com 6, 8 anos, o entretenimento fique mais fácil e talvez eu volte a preferir vôo diurno.

Engraçado que outro dia estava visitando um blog que eu adoro (e ainda vou citar muito!), o Colagem, da Luciana Misura, e ela fazia um comparativo muito legal das vantagens e desvantagens de vôos noturnos e diurnos, e dizia que preferia vôo diurno. E nada do que ela cita como contra em um vôo noturno me incomoda realmente, e as vantagens que ela vê em um vôo diurno estão longe de me encher os olhos. Ou seja, é uma escolha extremamente pessoal, baseada na opinião, hábitos – e crianças! – de cada um.

Outro cuidado importante é atentar aos horários e dar preferência a vôos com horários mais “fisiológicos”. Por exemplo, pra criança que dorme cedo, vôo às 23:00 pode ser um tiro no pé. A entrada no saguão de embarque vai acabar sendo umas 21:00, e corre o risco de a criança já estar dormindo. E, por mais que isso possa parecer bom, não é. Um péssimo momento para a criança estar dormindo é na hora de passar pela Polícia Federal (aqui ou fora), porque o carrinho precisa passar no raio-x e a criança deve passar andando no detector de metais ou, em caso de bebês de colo, a pessoa que está segurando deve afastar o bebê do corpo. Outro momento ruim de estar dormindo é na decolagem/aterrisagem. Os bebês no colo devem estar com cinto de segurança no colo (as comissárias fornecem um cinto adaptado que prende no nosso cinto – mas várias vezes já não deram) e as crianças maiores devem estar sentadas com cinto e a poltrona toda sentada, coisas difíceis de fazer com a criança dormindo. E ainda tem a questão do ouvido. Falarei em outro momento sobre as dicas para tornar o embarque e o vôo mais fáceis e confortáveis e sobre o uso de bebê conforto/cadeira de carro para bebês e crianças.

Outro cuidado na escolha do vôo é em relação às escalas e conexões. Nem preciso dizer o transtorno que é desembarcar com criança e mala de mão, esperar carrinho, eventualmente pegar mala e realizar novo check-in ou ficar intermináveis hoooooooras com crianças exaustas e entediadas (e muitas vezes sujas e famintas) em aeroportos. Para isso o conselho é simples: evite. Prefira vôos diretos, mesmo pagando mais, a menos que seja uma diferença de preço proibitiva ou uma escala muito tranquila. Se for fazer conexão, preste atenção em tudo: horário da conexão (meio da madrugada?), duração, local (alguns países podem demandar vacinas ou vistos). Se for conexão em um país diferente do embarque (por exemplo, vôo do Rio para Orlando com conexão em Miami, ou vôo do Rio para Berlim com conexão em Paris), necessariamente será preciso fazer os trâmites de imigração e pegar as malas no país da escala, pois isso é feito sempre assim que se entra em um país. Reserve tempo para isso. E conte que o vôo seguinte pode ser em um terminal super longe, onde seja preciso pegar ônibus ou trem interno, algo super comum na Europa. Ou seja, atente para tempo demais e tempo de menos entre os vôos. Mesmo em conexões no próprio país pode ser necessário recuperar a mala e realizar novo check-in.

Avalie também os aeroportos. Muitas vezes um vôo é mais barato porque chega em um aeroporto muito afastado ou até fora da cidade. Pode ser que valha à pena, mas depende de muitas variáveis. A que horas o vôo chega? Vocês ficariam no meio do nada altas horas da noite? Tem transporte para a cidade? A diferença de preço do transporte compensa a economia na passagem? Vai alugar carro?

Enfim, com crianças mais do que nunca vale à pena analisar cada pequeno detalhe do seu vôo, pra minimizar o stress e o desgaste de todos da família.

 

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