Viagem de trem Bruxelas-Londres

Para o trecho Bruxelas – Londres, optamos por comprar passagens de trem. Eu prefiro viagens de trem por diversos motivos:

– Não precisa chegar com horas de antecedência

– Check-in mais rápido

– Não precisa despachar a bagagem, e não há limite de volume e peso

– Mais espaço e mais atrativos para distrair crianças, fazendo o tempo passar mais rápido

– Maior conforto, não ficamos igual sardinha em lata. Com família, é possível pegar duas duplas de poltronas uma de frente a outra, com uma mesinha no meio.

– As estações de trem costumam ser bem centrais, o que facilita muito o deslocamento de/para a estação, além da economia de táxi/shuttle

– Em geral a passagem é mais barata

– Não ter que prender a criança na cadeira na aterrisagem/decolagem ou turbulência (parece besteira, mas esse momento pode ser absurdamente difícil e desesperador, principalmente quando a criança está dormindo)

– Tenho medo de avião

 

Para trechos maiores, o trem noturno é uma excelente opção. A viagem passa rápido, e ainda se economiza uma noite em hotel.

Compramos pelo site da companhia de trem, a Thalys, com bastante antecedência, e conseguimos tarifas boas

Saímos de Brugge de carro, rumo à Bruxelas. Lá pegaríamos o TGV para Londres. A passagem é digital, baixada no celular (My Wallet do iPhone). Tentei imprimir porque sou dessas, mas não consegui.

A estação de trem Brussels-Midi é bastante tranquila e segura. O banheiro é pago e tem alguns cafés antes do check-in, mas achei os depois do check-in, na área de embarque melhores. Tem cafés, restaurante e loja de chocolate

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Brussels-Midi

O check-in foi rápido, mostrando somente as passagens no celular. Mas é preciso passar pelo controle de fronteiras, com raio X, entrevista e tal, e essa parte foi bem demorada. Chegando na nossa vez, foi rapidinho, mas vi os funcionários da Alfandega fazendo bastante perguntas para alguns passageiros.

Esperamos um pouquinho no salão de embarque, o suficiente para tomarmos um café e comprarmos sanduíches para comer no trem.

Foi bastante tranquilo ir com nosso carrinho duplo trambolho até a plataforma, na porta do trem. Eu empurrei o carrinho com as meninas uma mala de mão pendurada no carrinho e uma mala, e o Gustavo com as duas malas maiores. Chegando na porta do trem, fiquei com as meninas na plataforma enquanto ele entrou com as malas, uma a uma, e colocou no bagageiro próximo à porta do nosso vagão. Depois entrei com as meninas e ele dobrou o carrinho e colocou lá também. Absolutamente nenhuma questão com espaço. Pelo contrário, espaço de sobra. Tinha uma moça sozinha com carrinho de bebê e malas, e prontamente apareceu um funcionário para ajudar.

Entramos todos e sentamos nos nossos lugares, como compramos apenas 3 poltronas, havia um senhor na quarta poltrona. Ele prontamente procurou um lugar vazio e trocou de lugar (esperto, eu também teria feito o mesmo). Antes mesmo do trem sair, Clarinha já fez uma amiguinha. Uma menina australiana, da mesma idade, que estava com os pais. Uma não entendia absolutamente nada do que a outra falava, mas isso não pareceu atrapalhar. Passaram a viagem brincando de bonecas, colorindo e fazendo quebra-cabeça no iPad (cuja bateria acabou em 10 minutos, por total falta de planejamento nosso). Aurora dormiu um período no colo do Gustavo, depois acordou e ficou na paz, olhando a paisagem.

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Há banheiros em todos os vagões, e são um pouco mais espaçosos do que os de avião. Há também um vagão restaurante, com lanches (sanduíches, biscoitos, etc) com preço normal. Dependendo do trem e do itinerário, são vendidas refeições.

E assim as 3 horas de viagem transcorreram tranquilamente (atentar que tem fuso horário entre a Bélgica e a Inglaterra). Chegando na estação de London St. Pancras, o desembarque foi super tranquilo. Chamamos um Uber XL. Veio um carro enorme, que comportou perfeitamente todas as nossas volumosas tralhas (veja aqui no post sobre Londres).

 

Efteling

O Efteling é um parque de diversões, em Kaatsheuvel, mais para o sul da Holanda, a 1h15 de Amsterdam. A temática é de contos clássicos, e tem atrações para todas as faixas etárias. O parque conta com hotéis que oferecem diversos tipo de acomodações, e os pacotes já incluem ingressos e café-da-manhã.

Em teoria, a reserva pode ser feita pelo site. No entanto, é necessário realizar um cadastro, e o formulário online não permite a opção de “Brasil” como país. Assim, tive que telefonar para lá e realizar a reserva pelo telefone. Pagar também deu trabalho, visto que tentei, na mesma ligação, todos os meus cartões e os do Gustavo, e eles não conseguiram com nenhum. Eles mesmo disseram que isso é comum lá com cartões estrangeiros. Fato é que tivemos que ligar e conversar diversas vezes, e conseguimos manter a reserva para pagar apenas no momento do check-in. Outra opção seria ir ao banco para realizar transferência internacional.

Ainda assim, no site você consegue checar os quartos disponíveis e os valores. Vale à pena tentar reservar o quanto antes, porque realmente esgota, principalmente as suítes temáticas. Além disso, os preços são 20% mais baratos quando se reserva com 4 meses de antecedência.

A primeira vez que olhei o site, fiquei um pouco confusa. No ícone “Overnight Stays”, é possível verificar os 3 hotéis do parque: Efteling Hotel, Efteling Village Bosrijk e Efteling Village Loonsche Land. Eu escolhi o Efteling Hotel, porque é ao lado do parque, as suítes me pareceram bonitas e o preço era bom. Confesso que não perdi muito tempo com os outros dois, mas o Village Bosrijk parece ter apartamentos maiores, com cozinha e tal, mais luxuosos, e o Village Loonsche Land parece ter uns quartos bonitinhos, bem simples, com opções para grupos maiores, e são um pouquinho mais afastados do parque (20 minutos a pé). Há ainda a opção de casas, para 6 a 12 pessoas, de tamanhos, estilos e localizações variadas. Como eu disse, são diversas opções e eu achei bastante confuso. Meu conselho é: explore as opções pelos ícones na barra de cima (Efteling Hotel, Efteling Village Bosrijk e Efteling Village Loonsche Land). Quando tentei clicando nas opções  “Hotel Rooms”, “Holiday Homes” e “Apartments”, no meio da página de “Overnight Stays”, achei uma zona.

Entrei no ícone “Efteling Hotel” para tentar realizar a reserva, mas vi que a cada hora apareciam suítes diferentes. Eles têm suítes temáticas, cada uma no tema de uma história diferente, que são mais caras do que as comuns, mas bem maiores (e mais legais!). Aí entendi que só apareciam as suítes disponíveis para o período solicitado. Para conhecer todas as diferentes suítes, é preciso ir na parte de “Efteling Hotel” e depois “Themed Suítes”.

Eu acabei demorando muito para fazer a reserva de fato, por essa confusão no cadastro, e perdi tanto o desconto da reserva antecipada quanto as suítes temáticas, que esgotaram. Acabei reservando uma das suítes comuns (Comfort Room). A Comfort Room 5 – Person (“5 – person” mesmo, vai entender) é um pouco mais cara do que a suíte básica, mas preferi por causa da cama beliche (triliche), que achei que a Clarinha iria gostar (de brincar, não de dormir, rs).

Nós havíamos alugado um carro, então fomos da cidade onde estávamos, Vinkeveen, para Kaatsheuvel, onde fica o Efteling, dirigindo. Foi bem fácil de chegar com o Google Maps.

Primeira coisa a dizer sobre Kaatsheuvel: Estava frio. Dias lindos, ensolarados e frios. Sempre gosto de ressaltar isso. Jamais subestime o frio da Holanda. Difícil sair muito cedo e, perto de meio-dia, no sol, fica super quente e a gente começa a tirar todas as 54 camadas de roupa.

 

O quarto só é liberado às 15:00, mas a qualquer hora você pode realizar o check-in, deixar as malas em um armário na recepção e pegar os ingressos para aproveitar o parque. O mesmo acontece após o check-out, pode-se deixar as malas e passar o dia no parque. Assim, passamos 3 noites no hotel e aproveitamos 4 dias inteiros de parque. A recepção é child-friendly: escada para a criança ficar na altura do balcão, banheiro infantil, um parquinho indoor (e outdoor, que não fomos), televisão passando os contos de fadas, as crianças ganham livrinhos e lápis de cor. E ainda ganham um cartão postal para preencher e devolver na recepção, que eles enviam para você (aqui chegou direitinho! Uma felicidade só!).

 

O quarto é de bom tamanho (29 m2) e  muito bem decorado. Tem um jogo de tabuleiro temático e vários detalhezinhos fofos. As camas são confortáveis (uma cama king e uma triliche linda) e o banheiro é bom, com redutor de assento e um armário-step embaixo da pia. Fiquei imaginando como as suítes temáticas devem ser lindas e fiquei me martirizando por não ter conseguido reservar. Em uma próxima, reservarei com certeza!

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Meninas jogando o jogo de tabuleiro no quarto.

O café-da-manhã está incluído na diária e é muito bom. É preciso escolher o horário no momento do check-in. Para o jantar, o restaurante oferece a opção a la carte ou buffet, mas para ambos é preciso escolher horário e reservar. Nós jantamos todos os dias no buffet e não nos arrependemos. A comida é bem gostosa e o preço é aceitável (cerca de 30 euros por adulto e 14 por criança), além da praticidade de ser dentro do hotel (o que conta muitos pontos no frio, e com crianças que dormem cedo, como as minhas).

O parque fica a menos de 4 minutos a pé do hotel, de porta a porta (sim, eu me dei ao trabalho de cronometrar). É só ir seguindo as pegadinhas amarelas. Isso me impressionou bastante, em comparação aos parques de Orlando. Eu moooorro de preguiça daquela peregrinação de levar 10-30 minutos de carro ou (dependendo de onde se hospeda), estacionar naquele sol, andar até o trenzinho, esperar na fila, pegar o trenzinho, andar até a entrada, fazer fila para revista das bolsas, andar até o trem ou barca, depois andar, mais e mais e mais. Fiquei cansada só de escrever. Entre sair de casa e entrar no primeiro brinquedo deve levar umas 2h, sem exagero. Os menorezinhos já estão com sono e/ou com fome quando chegam. Para ir embora, a mesma novela. É muito cansativo e o tempo útil no parque fica muito reduzido. Eu particularmente acho isso bem sofrido. Nesse ponto, o Efteling é um paraíso. Você sai do hotel e em 5 minutos, no relógio, a criança já está se divertindo. Achei isso maravilhoso. As tais pegadinhas levam a uma entradinha simples, nada megalomaníaco como na Disney. Simplesmente um portão com um ser humano que abre a tranca. Passando esse portão, já há um parquinho para os menores brincarem. Nessa entrada também, é possível alugar “push-chairs”, umas cadeirinhas de madeira para a criança sentar e ser empurrada/puxada pelo adulto, tipo um carrinho-de-mão, a 4 euros.

 

 

 

O parque é todo lindo. Em todos os detalhes. Não deixa nada a desejar aos parques da Disney, com a vantagem de andar muito menos entre as atrações e de ter comida boa. E de ser infinitamente mais vazio.

 

A quantidade e diversidade de atrações é enorme, para todas as idades. Vale à pena baixar o app gratuito e ir dando uma estudada nos brinquedos, altura mínima, etc. Um ponto alto é a floresta encantada, que é uma graça. Mas fiquei realmente surpresa com a quantidade de atrações. O parque tem vários “núcleos”, e cada um conta com uma infinidade de brinquedos, desde os mais simples, tipo carrossel, até os mais elaborados, como montanhas-russas. Para a idade da Clarinha (4 anos), as opções são inúmeras. E, como era vazio, ela repetia e repetia (e repetia e repetia). Os preferidos dela foram:

  • Playground Kleuterhof: um parquinho bem parquinho mesmo, mas bem divertido. Fica logo na entrada do parque.
  • Droomvlucht: Um passeio pelo mundo das fadas e duendes. Para toda a família. As duas amaram.
  • Floresta Encantada (Fairytale Forest): Uma floresta onde você vai passeando e a cada curva se depara com o cenário de um conto diferente.
  • Carnaval Festival: Um análogo do “It’s a Small World”, do Magic Kingdom. Um passeio por diversas culturas. Para toda a família. As duas adoraram.
  • Villa Volta: Um simulador, onde você fica em uma sala e aparentemente vira de cabeça-para-baixo. Para qualquer idade, mas não levei Aurora. Clarinha amou e foi diversas vezes.
  • Bobsleigh Ride: Uma montanha-russa para todas as idades (desde que a criança ande). Clarinha é louca por montanha-russa, então esse foi o ponto alto para ela.
  • Halve Maen: Barco Viking. Não vira dá a volta completa. Esse foi o preferido da Clarinha.
  • Adventure Doolhof: Labirinto bem legal.
  • Monsieur Canibale: Estilo xícara que roda. Clarinha ama e foi umas 200 vezes (Atenção que tem uma xícara por eixo que gira bem menos. Melhor pra quem enjoa e pior pra quem quer emoção).
  • De Oude Tufferbaan (Classic car ride): Um passeio em um carro antigo, que anda sobre um trilho. Clarinha amou porque ela que “dirigiu” o carro.
  • Monorail: Um carrinho em forma de lua, que anda em um trilho suspenso. Para toda a família. Na saída tem um parquinho cheio de escorregas bem legal.
  • Piraña: Barco nas corredeiras. Molha bastante, mas Clarinha adora.
  • Anton Pieck Plein: Uma praça com brinquedos antigos de parques de diversão. Bom porque são vários brinquedos bem pertinhos um do outro, dá para brincar bastante.
  • Playground Kindervreugd: Estilo pracinha, com areia.
  • Diorama: Um “museu”, mostrando uma cidade em miniatura.
  • Montanhas-russas para maiores: Joris em de Draak, Baron 1898, De Viegende Hollander, Python, Vogel Rok, Symbolica (ainda não havia inaugurado quando fomos).
  • Fata Morgana: O único que Clarinha não gostou, porque ficou com medo. É um barco calmo, mas as figuras são meio assustadoras mesmo. Aurora nem tomou conhecimento do que se passava e ficou de boa.
  • Gondoletta: Um barquinho que passeia pelo lago. Não quisemos ir por causa do frio.

 

 

Vale mencionar que em vários desses Aurora (1 ano) pôde ir também, e olhava tudo maravilhada, apontando e dando gritinhos.

Existem vários bonecos-lixeira, chamados Holle Bolle Gys, espalhados pelo parque, que ficam falando, pedindo para jogarem lixo na boca deles (vi isso também no parque do Asterix, em Paris). Clarinha achou isso a coisa mais divertida do mundo. Ficava guardando lixo para alimentar os bonecos. Achei uma idéia inteligente para manter o parque limpo.

 

Outra coisa que tem espalhada são umas estátuas de galinhas ou patos dentro de um vidro. Você coloca uma moeda e eles colocam um ovo de plástico, com um brinquedo dentro.

Lá não tínhamos cozinha, então dávamos almoço cedo para as meninas nos restaurantes do parque e levávamos lanchinhos para elas (castanhas, biscoitos, frutas). Há muitas opções de restaurantes, com vários tipos de comida, tanto sanduíches quanto comida de verdade, ao contrário dos restaurantes junk da Disney. No mapa do app é possível checar o tipo de comida de cada restaurante.

Uma paixão particular minha é o stroopwafel. O stroopwafel é um típico biscoito caramelado holandês, que vende em qualquer mercado, mas o industrializado. São poucos os lugares em que é possível comer um stroopwafel fresco, quente, feito na hora. E o Efteling é um desses lugares. Só isso já tornaria o Efteling um paraíso para mim. Comi diariamente. E deixou saudades.

 

 

No último dia, fizemos o check-out às 10:00, colocamos tudo no carro e fomos para o parque. Ficamos até umas 15:00, e de lá fomos direto para Brugge.

 

 

 

Holanda

O vôo

Para ir do Brasil para a Holanda, escolhemos um vôo Rio-Amsterdam da KLM, exatamente como queríamos: direto e noturno (veja aqui sobre escolha de vôos). A KLM é parceira da Air France (acho que são, na verdade, subdivisões de uma mesma empresa ou algo do gênero), e assim é possível fazer uma perna em cada companhia. Ou seja, vôo direto de ida para Amsterdam, pela KLM, e vôo direto de volta de Paris, pela Air France. Ô, benção!

No check-in, solicitamos o bercinho para a Aurora e felizmente estava disponível. Assim, além do bercinho ainda conseguíamos aquela primeira fila, com mais espaço para as pernas.

Levamos nosso carrinho-trambolhão Baby Jogger City Select duplo e o canguru Ergo Baby, nosso parceiro indispensável. Etiquetamos o carrinho no check-in e usamos o tempo todo até o embarque, e entregamos na porta do avião. Como nosso carrinho é grande, nós levamos a mala própria dele, desmontamos e guardamos antes de entregar, para garantir a integridade física dele. Com carrinho guarda-chuva, a gente costuma só fechar e colocar em uma saco-capa para carrinho (já aconteceu de chover e o carrinho vir todo molhado – além de sujo).

A passagem pela segurança e pela Polícia Federal para checagem de passaporte foi super-rápida. Levamos comida para as meninas em potes térmicos, suco em caixinha, frutas, biscoito, além de sanduíche para nós (para não ficarmos reféns do jantar do avião) e eles não implicaram com nada.

O avião da KLM foi uma grata surpresa. O boeing 787-9 faz parte de um linha chamada Dreamliner, que conta com diversas inovações para melhorar a sensação de bem-estar dos passageiros e diminuir o jet-lag, como diminuição de ruídos, redução de efeitos de turbulências, melhor pressão da cabine, poltronas que reclinam 40% a mais, design mais moderno, etc. Realmente fez diferença!

Logo que embarcamos, demos o jantar das meninas, escovamos os dentes, colocamos pijamas (sempre acho que isso ajuda elas a entenderem que é hora de dormir). Depois embalei Aurora. E – sorte – Aurora dormiu a noite inteira no bercinho e eu e Clarinha deitamos abraçadas em duas poltronas, com a cabeça no colo do Gustavo. Isso (mais os fármacos que eu tomo pra encarar um avião) me ajudaram a dormir relativamente bem.

Ao pousarmos, a passagem pela imigração foi super-rápida. Recuperamos nossa bagagem e fomos direto para a Hertz buscar o carro que alugamos (sempre alugamos do Brasil, pelo telefone e com desconto do Itaú Personnalité).

Optamos por alugar uma casa fora de Amsterdam e alugarmos um carro, para podermos visitar outras cidades da Holanda. A escolha da cidade foi um pouco aleatória. Olhamos no mapa do AirBnb cidades que fossem próximas a Amsterdam e as cidades que gostaríamos de visitar. Tudo bem que a Holanda é mínima e é tudo meio perto. Como diz meu pai, tem que ter cuidado pra dirigir lá, porque se acelerar muito sai da Holanda. E assim, demos a sorte de ir parar em Vinkeveen! Nosso roteiro na Holanda foi de 7 noites , 4 em Vinkeveen e 3 no Efteling (veja post específico aqui).

Aqui quero dedicar um parágrafo ao frio da Holanda. Quase todas as vezes em que fomos, era final de março, e era bem frio. Dessa vez, fomos no final de março e esperávamos uma temperatura um pouco mais amena. Seria primavera e tal. Não lavamos roupas tão pesadas, levamos poucos casacos e meia-calças paradas meninas, e não levamos luvas e nem cachecol para ninguém. Nossa idéia era que, caso fosse necessário, compraríamos tudo lá. E quebramos a cara. Fazia mens de 10 graus de dia. O frio entrava nos ossos. Fomos correndo comprar roupas de frio e – surpresa!! Não tinha em nenhum lugar! Já era a coleção de primavera. Vestidos floridos, sandálias. Um frescor só. Resultado: passamos (muito) frio. Só fomos conseguir comprar algumas coisinhas em Brugges, na Bélgica, porque uma alma caridosa funcionária da H&M catou algumas coisinhas no estoque.

Vinkeveen

Ou seja, amigos, moral da história: JAMAIS subestime os países baixos em matéria de frio. Dias claros, lindos, ensolarados e primaveris também podem ser congelantes.

 

Vinkeveen

Vinkeveen foi outra grata surpresa. Um cidade bem pequena, há cerca de 30 minutos de carro de Amsterdam. Quando eu olhava Vinkeveen no Google Maps, achava super estranho. Não era simplesmente uma cidade cheia de canais, como várias cidades holandesas. Era uma infinidade de canais meticulosamente paralelos. Parecia uma pintura. E realmente toda a cidade parece uma pintura. Um encanto! Não chegamos a passear muito pela cidade em si, entrar nas igrejas e tal. Foi mais nosso quartel-general mesmo.

Mas tratamos logo de fazer um reconhecimento dos supermercados holandeses e era lá que fazíamos todas as nossas compras.

Vinkeveen 2

 

Amsterdam

Nós já havíamos ido algumas vezes à Amsterdam, sendo uma com a Clarinha, por isso nos contentamos em passar apenas um dia. Mas, para quem nunca foi, vale à pena programar uma viagem que dure alguns dias. A cidade é belíssima e com muitos atrativos.

Dessa vez, nós queríamos basicamente ir ao Museu Van Gogh. Fomos de carro e não tivemos qualquer problema pra estacionar em uma ruazinha um pouco mais afastada, a 10 minutos a pé do museu. Deixamos pago o parquímetro, e deu cerca de 15 euros por 5h.

Seguimos algumas dicas do Daniel Duclos, um blogueiro que mora na Holanda e tem um blog excelente, cheio de dicas valiosas, chamado Ducs Amsterdam. Compramos os ingressos pelo site Get Your Guide, já com hora marcada para a visita. Compramos junto também o ingresso para o Keukenhoff, o parque das tulipas. Em ambos os casos, apresentamos apenas o e-ticket no celular (no My Wallet do iPhone) e entramos sem problemas e sem filas.

O museu é lindo, mas lotado. Tem que ir com paciência. Tem um café ótimo, onde vale a pena almoçar, lanchar ou tomar um chá.

De lá, passeamos pela Museumplein (a praça dos museus) e depois fomos para a Apple. Eu estava precisando comprar um computador e como na Holanda tem Tax Free, o preço acabava compensando. Saiu quase o mesmo preço de comprar nos EUA.

Tomamos um café no Blender (Ruysdaelstraat 11), um café-conceito bem legal, com área para as crianças brincarem e lojinha. Foi indicado pelo Ducs Amsterdam também. A dona era bem antipática e ficou meio irritada de chegarmos perto da hora de fechar, mas o lugar é ótimo.

 

Utrecht

Uma cidade linda, que vale muito a pena visitar é Utrecht. Eu já tinha lido em vários sites e blogs que era uma dessas cidades que você fica pensando “Nossa, como é que a gente não ouve falar de um lugar lindo assim??”. E realmente é isso: Como??! Utrecht é bem o estilo cidade holandesa medieval: canais, arquitetura linda…

Fomos de carro e estacionamos fora do centro, na Tolsteegsingel. É só atravessar uma ponte para o centro, e o estacionamento é bem mais barato (pagamos cerca de 16 euros por 5 horas).

Para as crianças, o ponto (mega hiper ultra) alto é o Museu Miffy (Nijntje Museum, em holandês). Miffy é aquele coelhinho fofo que a gente vê em vários lugares mas não sabe a origem (eu, pelo menos). O criador é de Utrecht, e a cidade faz diversas homenagens a ele. O museu não é cheio, não é caro, e é super interativo. As crianças brincam muito. Até Aurora amou. E é muito fofo! A lojinha, que fica em um prédio em frente, tem várias coisas fofas e com preço razoável.

Saindo do museu, fomos para uma famosa queijaria, a Kazerij Stalenhoef (Twijnstraat 67), uma das melhores queijarias do mundo. Lá eles embalam o queijo à vácuo para levar na mala para o Brasil, se você pedir! Em frente, tem uma boulangerie belga com comidinhas deliciosas chamada Vlaamsch Broodhuys (Twijnstraat 34). Vale muito à pena para um café da manhã, chá da tarde ou mesmo para almoço, como nós fizemos.

 

Zaanse-Schans

Zaanse-Schans foi outra dica super-legal do Ducs Amsterdam. Vale a pena ler esse post no site dele, já que ele foi com mais tempo (e mais calor) do que eu. Ele chama de “a Holanda dos moinhos”, e diz que é a cidade holandesa que mais se parece com uma cidade holandesa. E acredito que seja mesmo! O lugar parece saído de um cartão-postal ou um cenário de filme. Lindo, lindo! É um lugar meio que organizado como uma representação do passado. É um museu a céu aberto.

Fomos de carro e o GPS leva direto a um estacionamento a direita. Pode entrar e estacionar sem medo, é lá mesmo! Se passar, você vai entrar na cidade de Zaandam e não é mais lá. Nesse estacionamento tem um museu enorme, que não visitamos

Sendo a “cidade dos moinhos”, eles roubam toda a paisagem. Tem vários moinhos abertos a visitação. Nas casinhas, existem diversas lojas interessantes, queijarias, e até demonstração de como é feito o queijo, com degustação. E tem vários bichinhos por lá, como ovelhas e galinhas. As meninas adoraram! Parece que tem também um passeio de barco que deve ser bem legal, mas quando fomos estava frio demais e nem cogitamos.

 

 

Keukenhoff

Ah, Keukenhoff, o famoso parque das tulipas!! Em todos as vezes em que fomos a Amsterdam, pensamos em visitar o parque, mas ele tem um período de abertura super curto, na primavera, que é o período das tulipas. Não adianta querer visitar fora desse período, porque simplesmente não tem tulipas, e o parque não abre. Esse período varia a cada ano, mas, no geral, vai da segunda quinzena de março a segunda quinzena de maio. Dois meses ao ano só.

Nós compramos o ingresso pelo Get your Guide. Foi super-tranquilo e funcionou direitinho. Apresentamos o ingresso no celular mesmo. Não pegamos fila alguma na hora. Lá, a bilheteria funciona de 08:00 as 18:00, e o parque funciona de 08:00 as 19:30. Vale baixar um app do Keunkenhoff antes, com mapa e informações. Eu não sabia, não baixei.

Por acaso, o dia em que nos programamos para visitar o parque era o dia da Festa das Flores. Vimos isso na internet, e preferíamos ir em outro dia, pois imaginamos que o parque estaria muito cheio. Mas esse dia encaixava melhor nos nossos planos e achamos que talvez fosse um ganho extra, assistir ao festival (fosse o que fosse, não fazíamos idéia). Mas terminou sendo a roubada do século.

Todas as ruas em torno estavam fechadas e não podíamos chegar ao estacionamento. Nós havíamos colocado o endereço no Waze (o aplicativo que sempre usamos, no Brasil e fora, para achar a melhor rota), e ele já mostrava todas as ruas fechadas. Ele traçou um caminho bem ninja, que nos deixou em uma rua residencial (praticamente na garagem de alguém), que realmente ficava perto da entrada. Maaaas… as ruas estavam realmente todas fechadas, até para pedestres. Ou seja, nos vimos em frente ao parque, mas sem ter como atravessar para entrar. Gustavo queria ir embora, mas resolvi ver um pouquinho do desfile. Já que estávamos lá, né? Olha… achei mega sem-graça. Uns carros enormes, cobertos de flores, com algumas pessoas desanimadas dentro. Mais pra cortejo fúnebre do que pra desfile. Alguns carros levavam enormes animais feitos de flores, então a Clarinha adorou. Mas eu realmente achei de um mau-gosto sem fim. Sem fim mesmo, porque levava uma eternidade entre um carro e outro, e não terminava nunca. As ruas só reabririam a noite.

Já estávamos decididos a ir embora, quando resolvemos andar até o infinito para contornar os bloqueios. E conseguimos!! Enfim, entramos no parque! E o parque é LINDO! É realmente tudo o que falam e mais um pouco. É lindo assim de você nem saber pra onde olha.

Como já estávamos cansados, as crianças exaustas (e estava friiiio!) e o parque estava bem cheio (como sempre, ao que parece), acabamos ficando bem pouquinho. Pra quem vai com tempo e disposição, certamente há muito a ser explorado. O mapa mostra diversas áreas diferentes, exposições, atrações. O parque é gigantesco. Nós demos uma voltinha, tiramos lindas fotos e fomos logo embora. Sempre é possível tirar belas fotos, em qualquer lugar do parque, estando ele vazio ou cheio.

 

E no dia seguinte, um domingo, juntamos nossas tralhas, pegamos nosso carro e partimos para a nossa temporada de 3 noites no Efteling!

Por que viajar com crianças?

Quando começamos a viajar com a Clarinha, ouvíamos todos os tipo de críticas. As pessoas sempre parecem procurar o lado negativo em tudo e ser as donas da verdade (como todo o resto que tange a maternidade…). O que mais escutamos, até hoje é: “Vocês são malucos em viajar com duas crianças pequenas!”.

Percebemos que os comentários mais comuns são extremamente frágeis e rebatidos facilmente se resolvermos pensar por 2 minutos.

  1. Criança pequena não aproveita nada e não lembra de nada, é a mesma coisa que ir à pracinha. Mais ou menos, né? O conceito de “aproveitar” é muito amplo. É claro que ela não vai explorar e conhecer como um adulto. Toda a percepção de mundo dela é diferente. Mas são vários os pontos interessantes. Ela sente a mudança de ambiente, de língua, de clima. Visitar lugares diferentes do habitual dela sem dúvida faz parte da variação de estímulos que ela recebe para o aprendizado, e enriquece. Quanto à lembrar, elas guardam algumas memórias desde muito cedo, e isso também enriquece. E, o mais importante: NÓS lembramos. Pra mim, levar minhas crianças em viagens, estar com elas nesses lugares, passar por essas experiências e momentos com ela me dá um prazer imenso e faz parte da MINHA vivência e da MINHA memória. Outra coisa que ninguém pensa é que muitas vezes é raro uma criança passar 24 horas com pai e mãe por tanto tempo. Em geral ela fica com avós, babá, creche, com um dois pais só com alguma frequência no dia a dia. Para elas, só passar 20 dias 24 horas por dia com pai E mãe já faz a viagem valer à pena. Elas adoram e é uma experiência deliciosa.
  2. Criança pequena atrapalha a viagem. Bom, aí é novamente uma questão de conceito, né? É evidente que a viagem com crianças é completamente diferente da viagem entre adultos. Não dá pra achar que você vi ter um jantar romântico com seu marido em um restaurante chique de Paris, ou passar um dia relaxando em uma espreguiçadeira na praia e nem passar horas visitando calmamente um museu. Dá uma trabalheira danada, nossa atenção é voltada para elas, os horários e programas são diferentes. O ritmo é outro. Não há a mesma liberdade. Assim como toda a nossa vida muda depois de termos filhos. Mas entre essa “liberdade” e viajar com minhas filhas, prefiro mil vezes viajar com elas. Daqui a alguns anos elas estarão grandes e faremos viagens mais “adultas”, e daqui a mais uns anos elas nem vão mais querer viajar comigo e eu volto a fazer viagem de casal. E eu consigo ter bastante momentos românticos sem ir pra léguas de distância delas.
  3. Determinado lugar não é lugar de criança. No mínimo, sem sentido, né? Em qualquer cidade do mundo as pessoas moram e tem filhos. Ou seja, as crianças (e os bebês) vivem nesses lugares! Então, a menos que você vá escalar o Everest ou algo do gênero, o destino certamente comporta crianças. É claro que alguns darão mais trabalho que outros, ou poderão até ser menos seguros. Eu, por exemplo, fiz questão de ir para as ilhas gregas antes de engravidar, porque achei que seria uma viagem muito trabalhosa com crianças. Algum destinos também apresentam maiores “riscos”, como algumas doenças endêmicas, piores condições de saneamento ou risco de conflitos ou fenômenos naturais. Vale o bom senso. Mas dizer que Paris, por exemplo, não é um destino pra crianças é no mínimo desconhecimento. Poucas cidades no mundo são tão divertidas e adequadas e estimulantes para uma criança.

Outra coisa que noto é que muita gente acha que viajar apenas o casal com um/dois/três filhos é inviável, porque dá muito trabalho. Os pais acham que “não darão conta”. Como assim, gente? Os pais não darão conta dos filhos?

É claro que dá trabalho, criança dá uma trabalheira do cara#@*. Ficar 24 horas por dia por vários dias é cansativo e desgastante. É intenso. E justamente por isso é delicioso. Mas essa idéia de “não dar conta” me é muito estranha. Como é “não dar conta”? No que consiste isso? A criança se perde? Fica sem banho? Com fome? Largada? Ou os pais é que não estão dispostos a ter esse trabalho? A abrir mão de uma viagem totalmente voltada para si?

Reparo muito nas viagens como os brasileiros tendem a viajar em grupos familiares maiores. Sempre tem agregados: mãe, avó, tia, cunhada, babá. As vezes, com uma única criança, mas sempre com “ajuda”. E não é simplesmente pela companhia, pois casais adultos viajam sozinhos com frequência. Entre os europeus, vemos o contrário: famílias numerosas, de casais com 3, 4, 5 filhos. Sem “ajuda”. Ou seja, acho que tem um fator cultural forte, de os brasileiros terem esta tendência a achar que não dão conta dos próprios filhos.

Assim, ao pensar em viajar com crianças, vale a pena repensar nos mitos, e tentar abrir a cabeça, criar coragem e ampliar os horizontes!